Review: Shovel Knight (Multiplataforma)

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Era o ano de 2014. Exploradores experientes estavam em busca de tesouros escondidos em uma ilha deserta no meio do Atlântico. Durante a aventura, os exploradores conseguiram escapar de diversas armadilhas e animais selvagens, até que chegaram a uma caverna misteriosa. Dentro dela eles passaram por diversas salas com mais armadilhas e dificuldades, até encontrarem uma espécie de sala com um feixe de luz iluminando uma pá dourada fincada no chão.

Um deles teve a ideia de remover a pá, e quando fizeram isso, uma parede falsa se abriu, revelando um baú. Ao abrirem o baú, encontraram dentro dele um cartucho de Nintendinho que apenas estava escrito a palavra Shovel.

Com muita dificuldade eles voltaram para sua terra natal, na California (EUA). Ao chegar no escritório, o líder dos aventureiros disse a um de seus colegas “Traga-me o Nintendinho”, que prontamente respondeu “Diga por favor” “Sim Senhor” e foi buscar o incrível console de 8 bits. Depois de montarem o console em uma TV de tubo, deram uma boa assoprada na fita e a encaixaram no console. Ao ligá-lo, eles tiveram o prazer de desfrutar de uma pérola perdida daquela geração: Shovel Knight.

Cientes da qualidade daquilo que tinham em mãos, resolveram mostrar o jogo ao mundo, portando para as plataformas das gerações mais recentes.

Claro que a história acima é uma ficção que acabei de inventar da minha cabeça, mas eu prefiro acreditar que foi assim que Shovel Knight foi concebido. Porque não é possível este jogo ter sido idealizado tão recentemente, no mínimo encontraram esse código ou eles tinham a ideia em mente desde a geração de 8 bits. É incrível como este jogo tem tudo para ter sido lançado para a pioneira plataforma de games da Big N.

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Na verdade, Shovel Knight foi concebido através de uma campanha no Kickstarter, anunciada em Março/2013. A campanha atingiu seu objetivo em alguns dias e um mês depois do lançamento acabou arrecadando um total de US$ 311502, tamanho sucesso que o jogo fez entre os jogadores (quase 15000 pessoas acabaram doando para que ele se tornasse realidade).

Responsável pelo desenvolvimento e distribuição do jogo, a americana Yatch Club Games aproveitou o sucesso e estabeleceu algumas metas que seriam cumpridas conforme os valores fossem atingidos. O bacana é que a empresa foi tão transparente com todo sucesso obtido que revelou todos os dados da campanha, que podem ser vistos neste link (em inglês). Tem mais dados, inclusive sobre as vendas pós lançamento nos primeiros meses.

Algumas metas inclusive ainda não foram cumpridas, o que tem feito que a Yatch Club lance periodicamente algumas atualizações gratuitas, como a primeira de nome Plague of Shadows, que permite jogar com um dos chefões do jogo e conta com detalhes a história do vilão. E a ideia é que outros vilões sejam adicionados com o tempo. Vou falar sobre isso mais pra frente.

Com direito a mapa e tudo!

Com direito a mapa e tudo!

A história do jogo é contada através de cutscenes muito parecidas com as presentes em jogos da franquia Ninja Gaiden, com desenhos e textos. Também são contadas através de diálogos entre o protagonista e os antagonistas, além de outros personagens não jogáveis que aparecem ao longo da jornada.

Como as próprias cutscenes contam, Shovel Knight e sua inseparável companheira Shield Knight eram conhecidos como os mais brilhantes e bem sucedidos guerreiros em uma época com diversos aventureiros lendários. Porém, estes tempos acabaram quando a dupla entrou na Tower of Fate e um amuleto amaldiçoado lançou uma magia neles.

Apresentação da história de forma bem old school!

Apresentação da história de forma bem old school!

O destemido herói acordou do lado de fora da torre, esta completamente fechada, sem a sua companheira. Ele então entrou em um estado de depressão e solidão, enquanto uma vilã conhecida como The Enchantress dominava a região junto com seus súditos guerreiros da Order of No Quarter.

Até o dia em que a Tower of Fate finalmente se abre e o herói resolve partir para salvar sua amada e resolver os problemas causados pela Enchantress e demais combatentes malignos.

Cavando tesouros!

Cavando tesouros!

O guerreiro, como seu próprio nome já diz, utiliza como arma uma… ! Você leu certo, ele usa uma pá! Como pode dar errado um jogo com uma ideia dessas, alguém me explica? Um guerreiro dando “pazadas” nos inimigos. É hilário! A pá pode ser usada para bater diretamente ou mesmo quicar nos inimigos durante um ataque aéreo (algo parecido com o ataque do Tio Patinhas em Ducktales, pra quem jogou). A arma também serve, é claro, para escavar tesouros enterrados no chão e nas paredes.

Tudo isso influencia bastante no gameplay, já que existem partes onde é necessário quicar nos lugares certos para passar por buracos mais longos que o pulo do protagonista alcança, entre outras coisas.

Quicando na bolha pra chegar na plataforma mais alta.

Quicando na bolha pra chegar na plataforma mais alta.

O jogo inclusive é muito fluido, muito gostoso de jogar. Possui uma mecânica impecável, responde bem os comandos do usuário. Não dá pra culpar o controle em momento algum, se o fizer, estará mentindo. O design das fases também é muito bem construído, cada detalhe foi pensado para proporcionar um desafio na medida.

É importante ressaltar que Shovel Knight não é só mais um jogo de desenvolvedores independentes feitos com gráficos em pixel art e que querem imitar a geração dos 8 bits. É muito mais do que isso, não deixem os gráficos e músicas “limitados” te enganarem. O jogo usa sim alguns conceitos do passado, porém, mesclados com outros conceitos das últimas gerações. E esta mistura é feita com muita maestria.

Pra começar, o jogo não possui um sistema de vidas. Ou seja, sem Game Over e sem ter que começar da primeira fase de novo, algo que incomoda muita gente na atualidade (embora tenha muita gente que ainda goste, eu por exemplo curto bastante). Ou seja, o jogo não é tão punitivo caso o protagonista morra.

Ao invés disso, é utilizada uma ideia que surgiu (ou pelo menos se popularizou) em Demon’s Souls. Quando o personagem morre, alguns sacos de dinheiro com uma boa porcentagem que o jogador possuía se espalha pelo cenário e podem ser recuperados caso ele chegue na mesma parte sem morrer. Caso morra, aquele dinheiro fica perdido pra sempre.

Ih, rapaz, morreu! Vai ter que voltar aí pra recuperar a grana, ou...

Ih, rapaz, morreu! Vai ter que voltar aí pra recuperar a grana, ou…

Além disso, as fases contam com checkpoints bem posicionados, que podem auxiliar o jogador a não ter que repetir tudo o tempo todo. Ao mesmo tempo, quem acha que isso deixa as coisas fáceis demais, existe a possibilidade de quebrar os checkpoints em troca de uma boa quantidade de dinheiro. Daí se morrer, vai voltar para o começo da fase (ou algum checkpoint não destruído). Bacana o jogo dar esta possibilidade para os dois tipos de jogadores, não?

Checkpoint! Quebre e tenha o prazer de encarar toda fase novamente. Algum insano aí fez isso?

Checkpoint! Quebre e tenha o prazer de encarar toda fase novamente. Algum insano aí fez isso?

Também existem outros facilitadores, como update de armadura e habilidades/magias/relíquias que podem ser utilizadas/disparadas ao longo da jogatina. Algumas muito eficientes contra chefes e inimigos específicos. E ainda assim, o jogo pode ser jogado de cabo a rabo sem que o jogador utilize uma magia sequer. O design dele está preparado pra isso, e acredito que isso seja uma das influências dos jogos do Mega Man clássico. Ou seja, tem diversão para os dois públicos neste quesito também.

Agora não pense que tudo isso faz o jogo ficar mamão com açúcar, porque não faz. Você vai morrer um bocado! Se não tiver pelo menos um mínimo de habilidade e costume com o controle, vai cair nos buracos, levar uma pancada crucial de algum inimigo, e por aí vai. Sem falar que os chefes precisam de aprendizado de padrão para ser derrotados, então precisa de habilidade e um certo senso de observação pra chegar no fim de Shovel Knight. Paciência também. Nada fora do comum, tudo é muito bem balanceado.

Dando uns upgrades no personagem e tal...

Dando uns upgrades no personagem e tal…

O level design é tão bem feito que você não vai se sentir repetindo coisas o tempo todo, parece que a cada momento algo novo está lá pra te entreter e/ou desafiar. Interessante também é que existem coisas espalhadas pelo cenário que se você obter antes de chegar em um checkpoint e morrer, você não precisa buscar novamente. Por exemplo os folhetos musicais que precisam ser recolhidos e levados ao bardo no vilarejo.

Outras influências das gerações clássicas são subchefes em fases e passagens e itens secretos dentro paredes que devem ser quebradas e outras situações como plataformas que precisam ser alcançadas. Tudo é muito bem pensado.

Todo mundo ama enfrentar sub-chefes!

Todo mundo ama enfrentar sub-chefes!

Por falar em influências, é muito óbvio que Mega Man é a maior fonte de inspiração de Shovel Knight, mas outras franquias também são lembradas, desde de detalhes sutis até outros bem escancarados. Franquias como Super Mario Bros. (mapa de fases), Castlevania (algumas temáticas e outros detalhes), Ninja Gaiden (narrativa) e outros são lembradas pelos jogadores durante a aventura.

Os gráficos vocês podem ver nas imagens que são lindos demais para um jogo 8 bits. A parte sonora também é incrível, muito criativa e combina muito bem com cada momento do jogo. Mas também, a Yatch Club Games foi atrás de um cara espetacular para compor a trilha: Jake Kaufman!

Não conhece? O cara é responsável (ou pelo menos um dos responsáveis) por outras trilhas sonoras fantásticas como a de Double Dragon Neon, Shantae (Gameboy Color), BloodRayne: Betrayal, Retro City Rampage, Ducktales Remastered, entre outros. Não é um cara qualquer, muito longe disso! Experimentem ouvir as músicas destes jogos (inclusive de Shovel Knight) e digam que estou errado quanto à qualidade do trabalho do cara. Eu os desafio!

Recolher os Music Sheets te dá o direito de curtir as ótimas músicas do Jake Kaufman lá no vilarejo, ao conversar com o Bard.

Recolher os Music Sheets te dá o direito de curtir as ótimas músicas do Jake Kaufman lá no vilarejo, ao conversar com o Bard.

Como falei anteriormente, a empresa responsável pelo game começou a lançar para ele os DLCs gratuitos este ano, começando pelo Plague of Shadows. Além da possibilidade de jogar e conhecer a história do chefão Plague Knight, como já mencionado, a atualização também trouxe um modo Challenge com desafios curtos bem interessantes e relativamente irritantes (do jeito bom).

Entretanto, o legal dessa nova história é que a jogabilidade com o Plague Knight é totalmente diferente da do Shovel Knight, transformando Plague of Shadows em praticamente um jogo novo. Sem falar que as histórias ocorrem em paralelo, ou seja, existem eventos com referências para a história do herói e sua pá. E isso torna tudo mais divertido, com momentos muito hilários.

Senhor cavaleiro, não queremos confusão em nosso vilarejo. Por favor, guarde sua arm... ah, é só uma pá! Então beleza, entra ae, parça!

Senhor cavaleiro, não queremos confusão em nosso vilarejo. Por favor, guarde sua arm… ah, é só uma pá! Então beleza, entra ae, parça!

Inicialmente, o jogo foi lançado para PCs (Windows, Linux e OS X), Wii U e 3DS. Atualmente, existem versões para estas plataformas e para PS3, PS4, PS Vita, X360 e Xone. Cada uma com particularidades, como a presença do Bom de Guerra Kratos nas plataformas Sony e dos sapos de Battletoads nas plataformas Microsoft.

O diferencial das plataformas Nintendo seria a possibilidade de trocar itens e magias em um menu sem pausar o jogo (usando a segunda tela/Gamepad), o que pra muitos não significa muito, mas não deixa de ser um diferencial. Sem falar em um modo cooperativo que foi prometido para este final de ano e que será disponibilizado apenas no Wii U (pelo menos a princípio).

Shovel Knight conta com momentos engraçados, emocionantes, desafiadores, tensos, épicos, etc. Possui um elenco de heróis e vilões bem marcantes, é uma experiência bem completa. Não a toa a Yatch Club Games até criou um Amiibo baseado no protagonista. E eu quero um! Aceito de presente de Natal, façam uma vaquinha aí!

Vale mergulhar dentro do baú pra encontrar mais jóias preciosas!

Vale mergulhar dentro do baú pra encontrar mais jóias preciosas!

Vale lembrar que pelo menos até o lançamento deste post, este é o único Amiibo baseado em um personagem de jogo independente. E este Amiibo serve para desbloquear algumas customizações para o personagem e fases adicionais no modo Challenge.

Eu recomendo o jogo a todos. Todos mesmo! Não importa se você é um jogador que gosta de enredos fortes, se você só quer saber de jogabilidade e desafio, se perdeu a paciência com jogos difíceis, se prefere explosão de pixels e resolução enorme, etc.

Batalha épica contra o maior rival: Black Knight. Por que será que ele também carrega uma pá? Guerreiros malucos...

Batalha épica contra o maior rival: Black Knight. Por que será que ele também carrega uma pá? Guerreiros malucos…

Independentemente do seu perfil de jogador, saiba que Shovel Knight tem muito a oferecer, pra mim beira a perfeição. Ou eu virei hipster que só joga jogos independentes. Provavelmente ambos. Sei que este jogo tem tudo pra ganhar o Gamer Caduco Awards de 2015.

Na minha humilde opinião, o game é 10/10. O motivo é simples: diversão acima de tudo. Pois para mim, a diversão é a verdadeira essência dos jogos e fica acima de qualquer outra coisa.

Conclusão: Shovel Knight é legal PÁ caramba!

Depois dessa eu me despeço!

Grande abraço a todos e obrigado pela leitura!

Até o próximo post!

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PS: Ah, o review de Shovel Knight também é multiplataforma: está saindo aqui no Gamer Caduco e também lá no Retroplayers, com algumas “melhorias gráficas” e mudanças sutis. Confiram lá também!

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Sobre Gamer Caduco

Menino novo, com mais de 30 anos de idade, fanático por games de todas as gerações.
Esse post foi publicado em 3DS, Jogos, Jogos Independentes, PC, Playstation 3, Playstation 4, PS Vita, Review, Wii U, XBox 360, XBox One e marcado , , , , . Guardar link permanente.

7 respostas para Review: Shovel Knight (Multiplataforma)

  1. Ulisses 8Bit disse:

    Mas que é isso!?
    Cadu virou escritor Third Party agora? KKKKKKKK
    Bom Cadu, como vc já deve ter visto eu curti bastante seu texto, eu li antes lá na casa do Sabat.
    Sabe Cadu, essa tecnologia toda hoje, que é relativamente barata para produzir jogos, ok, não é preço de banana mas também não é algo inviável na casa dos milhões certo? 🙂 meio que subverteu o mundo dos games.Não no sentido negativo da palavra mas no seu significado de desordem.Isto é, as gerações de consoles andam em linha reta, e aí vem os indies e bagunçam tudo, com bons, ótimos e jogos ruins, assim como toda indústria de entretenimento deve ser.
    Livre, caótica e diferente.

    • Gamer Caduco disse:

      Ahh, Third Party eu sou faz tempo, a vida tem dessas coisas. Numa conversa com o Sabat acabamos combinando de eu lançar o texto nos dois sites ao mesmo tempo.
      Cara, eu acho que os jogos independentes são essenciais, são uma terceira ponta de uma mesma indústria. As outras duas são a Nintendo e as outras, já que cada uma das 3 tem um “jeitão”. Legal essa variedade toda, agrada todos os públicos. Isso é essencial.
      Jogos ruins e jogos bons fazem parte da vida, é bem o que vc falou: “como toda indústria de entretenimento deve ser. Livre, caótica e diferente.”.
      Um brinde à diversidade! 😀
      Valeu Ulisses… de novo! kkk

  2. Doc Cocamonga disse:

    Shovel Knight é sempre bem falado, parece tomar bastante personalidade sem parecer ripoff de outras classiqueiras como foi dito acima, só me espantou um pouco certas facilidades quanto a vida, no mais é certeza que irei conferir, esse e o Maldita Castilla.

    • Gamer Caduco disse:

      Cara, não se deixe levar pelo lance da falta de vidas. Vc não vai precisar ver um Game Over pra ficar puto com algum trecho do jogo que vai te fazer repetir tudo desde o último checkpoint, é mais comum do que vc imagina! kkkk
      Esse jogo tem sim bastante personalidade, quando puder, dê uma chance que eu tenho certeza que vc não vai se arrepender!
      Valeu Doc!

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