Maratona Sonic: SEGA Sonic the Hedgehog (Arcade)

Como estão, meus caros? Todos bem?

Continuando aqui a Maratona Sonic, na velocidade da tartaruga manca com cãibra, mas firme e forte recordando alguns jogos e conhecendo outros.

No post de hoje vou falar de um game que finalmente pude conhecer e que muita gente nem sabe da existência, o primeiro jogo de Arcade da franquia: SEGA Sonic the Hedgehog.

Primeiro jogo da franquia, já que o personagem em si já havia aparecido nos Arcades como um cameo em 1991, como um chaveirinho de retrovisor no jogo Rad Mobile.

Tela do Rad Mobile.

Confesso que este jogo nem iria entrar na Maratona, mas quando tentei rodar ele no Raspberry Pi 3, acabei ficando curioso em que época da história ele havia sido lançado e percebi que estava exatamente no momento de lançamento dele, Junho de 1993, pouco antes de Sonic Spinball.

Curioso que a tela de título sugere 1992, mas por incrível que pareça está incorreto. Erro logo na tela de título?

Acabei preferindo lançar o texto do raio do jogo de pinball antes, pois foi a ordem que joguei. Vou tentar me manter na linha do tempo certo a partir de agora.

A verdade é que eu nunca tinha sequer visto nada sobre o jogo, sabia de sua existência, sabia que era um Arcade lançado somente no Japão e que era um jogo isométrico com dois amiguinhos genéricos que quase nunca mais foram vistos em jogos nenhum, Ray the Flying Squirrel e Mighty the Armadillo.

Na verdade, um deles apareceu em outro jogo. Mighty foi incluído no time de personagens jogáveis de Knuckles Chaotix de 32X. Já Ray, o outro amiguinho coitado, nunca mais apareceu. Inclusive há um cameo em Sonic Generations que faz referência aos dois, dados como desaparecidos. Vejam só:

Poster de desaparecidos em Sonic Generations.

Mas enfim, como ainda estamos em 1993, ninguém sabe o que é 32X nem Knuckles Chaotix, menos ainda Sonic Generations, então vamos em frente com a Maratona.

A primeira coisa a ser dita aqui é que os controles de SEGA Sonic the Hedgehog (vou chamar de SStH a partir de agora) são bem peculiares. Primeiro que não há manche ou direcional digital para controlar os personagens, mas sim um trackball.

Pera aí, você é novinho e não sabe o que é um trackball? Sério? Tudo bem, o tio Caduco explica pra você e relembra aos mais idosos do que se trata. E pensar que até mesmo alguns mais velhos não conhecem também. Bem, o trackball é isso aqui ó:

Isso aqui é um trackball. Imagem gentilmente afanada da Wikipedia.

Quem é mais novo não deve saber, mas os mouses antigamente não funcionavam com sensor óptico (Jaspion não curtiu isso) de orientação, mas sim com uma bolinha que girava os sensores de X e Y para replicar o movimento do cursor na tela. No caso do trackball, ao invés de mexermos o mouse, mexemos diretamente aquela bolona que vocês estão vendo na imagem. “Bolona” é um termo bem estranho, mas enfim.

Então, no caso de SStH, como trata-se de um jogo isométrico, os personagens se movimentam na direção em que a bolona é girada. Acredito que a velocidade em que é girada também influencie na velocidade dos personagens. Isso é algo que não deu para descobrir jogando, pois a versão de emuladores foi alterada para funcionar com as setas do teclado ou mesmo direcionais de controles. O jogo também conta com um botão para pulo.

Algumas imagens que encontrei da máquina do jogo na Internet. Duas versões diferentes.

Eu imagino que jogar isso no Arcade original deve ser bastante divertido e engraçado, as pessoas se matando de girar aquele negócio e ficando cansadas durante a jogatina, morrendo (no jogo, calma aí pessoal) por causa disso. Até mesmo quem é absurdamente resistente à inovações de controles deve ter se divertido com isso na época. Se eu tivesse jogado eu provavelmente me divertiria, mas eu adoro um acessório maluco (guitarra, volante, etc).

Bem, como o jogo é todo em japonês, eu joguei sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo em termos de história. Para o post eu resolvi dar uma pesquisada para ver como era o manual e, bem, o jogo não tem bem uma história. Basicamente, os três personagens foram raptados pelo Dr. Robotnik e jogados em uma ilha cheia de armadilhas mortais.

Ouriço capturado! O jogo começa aqui.

O jogo é muito… ARCADE! Sério, quando se trata de jogo pra comer fichas, a SEGA sempre mandou bem. SStH é basicamente um jogo sobre correr, fugir de armadilhas, escapar de armadilhas, desviar de armadilhas, correr mais um pouco, morrer a cada pequeno erro e gritos, muitos gritos.

Estas imagens contém gritos… “UAAAAAAAA”!

Os personagens gritam o tempo todo, só sair um pouco da pista e começam a gritar coisas em japonês que, para mim, parece com “aqui não, aqui não”. Sem falar nas animações do começo que eles são arremessados de um lugar pra outro gritando alucinadamente. Aquele tipo de exagero típico de japoneses que podemos ver também em outras mídias, como filmes e animes.

Se o arcade de Moonwalker fez sucesso em 1990, por que não criar um Sonic também isométrico com três personagens? É agora que a Nintendo vai falir! Não duvido que este tipo de pensamento tenha passado pela cabeça do pessoal da SEGA na época. E você aí pensando que o primeiro Sonic assim era 3D Blast. Aliás, o quê é 3D Blast? Esse jogo não foi lançado ainda, segundo a linha do tempo.

Mas a grande verdade é que o gameplay de SStH parece ter sido inspirado no jogo Marble Madness, clássico de Arcades e tantas outras plataformas criado em meados de 1984.

Aparece um mapa animado das fases entre um estágio e outro. Lembra outros arcades da SEGA, por exemplo, Golden Axe.

A primeira vez que consegui terminar o jogo, fiz com 12 fichas. Ou seja, de mamão com açúcar ele não tem nada. Uma ficha significa uma vida. Uma vida tem uma barra de vida que vai se desgastando conforme saímos do cenário, caímos em buracos ou somos atingidos por armadilhas. Barra de vida? Pois é, em SStH este conceito é bem diferente dos jogos da série lançados até então.

Argolas aqui não significam muita coisa. Elas apenas aumentam a barra de vida do personagem lentamente conforme são coletadas.

No fim da fase aparece uma contagem dizendo a porcentagem de argolas que conseguimos pegar na fase. Se pegarmos até 49%, o personagem aparece com uma cara de quem comeu um bolinho cheio de drogas estragado. Caso contrário, fica com cara de feliz. Feliz até demais. Talvez seja bolinho cheio de drogas também.

Porcentagens de argolas no fim das fases.

SStH tenta ter também um pouco de humor ao longo das fases, com aquele monte de gritos, caras que os personagens fazem e umas leves palhaçadas que aparecem ao longo do jogo. Tipo essa daqui:

Coyote esteve aqui e enganou nosso herói com suas incríveis pinturas realistas.

O game é bem curto. São basicamente sete fases bem curtas e fichas podem ser colocadas a vontade aqui, desde que você tenha dinheiro para isso ou esteja emulando. Só que isso não vale para a última parte do jogo.

Nela os Continues e entrada de outros jogadores são desabilitados. O(s) jogador(es) deve(m) escapar da base do Dr. Robotnik em 20 segundos ou ela explode e adeus herói(s). É uma parte bem sacana, as três primeiras vezes que cheguei nela, não consegui passar e tomei um Game Over na cara. Ainda bem que em menos de 20 minutos dá para chegar lá de novo.

A tal parte final. Uma curva que você erra já aumenta muito a chance de você ver a tela do Game Over. E reparem na parte de baixo da tela que mostra que os Continues e novos jogadores não são aceitos aqui.

Alguns de vocês devem estar pensando: que raios essa bodega tem a ver com Sonic? Na boa? Nada! SStH é algo bem diferente mesmo, o que não necessariamente é ruim. No geral eu achei o jogo divertido, embora nada de espetacular.

Eu não sei se o fato de jogar com as setas do teclado influenciou nisso. Quando tentei jogar com um controle analógico para tentar controlar a velocidade do personagem e não cair tanto em armadilhas, não deu certo. Os controles ficaram bastante birutas e não respondiam conforme eu queria. Desisti e voltei pro teclado.

Neste momento eu estava testando jogar com controle e falhando miseravelmente. Pena que a imagem não mostra. Pelo menos mostra um pouco das armadilhas do jogo.

Quem curte o argumento (ao meu ver errôneo) de que Sonic não é bom porque não te dá tempo suficiente pra desviar de obstáculos precisa ver este jogo. Ele sim tem esse “problema”. Você precisa correr e testar seus reflexos por muitas vezes. Nem preciso dizer que pra quem curte a diversão é garantida aqui, né?

Quase não aparecem inimigos ao longo do gameplay, isso meio que faz um pouco de falta.

Mesmo sem inimigos dá pra morrer bastante. A animação de morte é bem bizarra. De alguma forma lembra Alex Kidd in Miracle World.

O curioso é que quanto mais eu jogava, mais eu me apegava e me divertia. No fim eu gostei bastante da experiência que tive com ele, recomendo que tentem rodar no emulador de vocês algum dia. Um MAME da vida resolve o problema. Só não consegui rodar no Raspberry Pi mesmo, ali ficou dando crash o tempo todo. Tentei até no MAME de PSP, mas ali ele nem foi listado. Não está entre os jogos compatíveis.

Eu recomendo sim para que conheçam, pelo menos tentem uma vez na vida de vocês. É o tipo do jogo que você mais dá risada do que passa raiva com as coisas que acontecem, mesmo ele sendo um jogo com alguns pequenos detalhes incômodos. Com as fichas de graça vai de boa, claro.

Experimentem mesmo, pois não me lembro de outro jogo do ouriço que tenha escalada com armadilhas!

Graficamente o jogo é bastante impressionante. Com cores bem vivas, SStH é um jogo totalmente cartunesco que faz bom uso do hardware. A parte musical também é bem bacana, embora a sonora (efeitos) ao meu ver deixa a desejar por causa dos gritos e vozes que me incomodam bastante. Aliás, este foi o primeiro jogo da franquia que teve vozes. E você aí reclamando dos games mais modernos.

Querem uma curiosidade? Reza a lenda que um rascunho inicial de Mighty the Armadillo concorreu para ser mascote da SEGA, quando a empresa acabou optando por Sonic para substituir Alex Kidd. Depois o personagem foi redesenhado e batizado como Mighty, para depois fazer parte do universo da franquia Sonic.

Querem outra curiosidade? Este é o único Boss do jogo. Sério!

SEGA Sonic the Hedgehog me deixou a impressão daquele jogo que você vê a máquina e fala “olha, um jogo do Sonic”, vê a trackball, estranha e fica curioso como funciona, coloca uma ficha, passa uma ou duas fases, morre e fica meio assim, mas coloca outra ficha e vai até onde der, aí depois deixa pra gastar o restante das fichas em outras máquinas, pensando que um dia tentaria jogar a sério, mas nunca faz isso. Sabem como é? Sei lá, é tipo isso aí.

Como falei, ele é um arcade bem clássico mesmo, quer comer suas fichas loucamente. Tem ideias malucas, como são os jogos da SEGA. É clássico e é genuíno. Você vai querer botar defeito nele, mas vai curtir no fim das contas por ter se divertido. Eu acho.

Lascou-se, Robotnik!

Enfim, é isso! Espero que tenham gostado!

Próximo capítulo da Maratona, como podem prever, finalmente voltará um dos jogos numerados da “main quest”. Ansiosos? Bem, eu estou para jogá-lo novamente depois do trauma de Spinball e essa maluquice (embora bacana) que é o jogo descrito aqui.

Até o próximo post, galera!

Grande abraço e obrigado pela leitura!

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Sobre Gamer Caduco

Menino novo, com mais de 30 anos de idade, fanático por games de todas as gerações.
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7 respostas para Maratona Sonic: SEGA Sonic the Hedgehog (Arcade)

  1. ivoornelas disse:

    Cadu! Que maneiro seu post, juro que não conhecia esse jogo do Sonic (igual Sonic Spinball!). Apesar de você falar dos problemas que esse jogo tem, fiquei super empolgado em conhecer ele. Pelas fotos me pareceu divertido! E eu curto essas bizarrizes de grtios e cia hahaha! Fiquei super animado em jogar, alias eu tenho que jogar Sonic seguindo sua Maratona… é um dos meus pecados gamisticos não ter jogado a maioria dos jogos do Sonic! Apesar de sempre adorar ele! Gostei muito Cadu, manda mais SONIC para gente =) De post assim com curiosidades, dicas, jogos e deixando a gente com vontade de jogar que adoro ^^

    • Gamer Caduco disse:

      Então, não sei bem se são exatamente “problemas” que o jogo tem, eu acho que está mais para características que não me agradaram tanto. No geral o jogo é bem interessante e merece sim ser conhecido, especialmente por quem viveu as eras de 8 e 16 Bits!
      Logo menos vem outro post aí na Maratona, um jogo mais clichezão, mas eu nem ligo, quero conhecer e rejogar todos os jogos da franquia e compartilhar as experiências… só não estou empolgado pra jogar o 2006 e o Boom! Esses vão doer! huahuahuahuahuahua
      Valeu Ivo!

  2. ivoornelas disse:

    *Sonic Spinball de Master não conhecia!

  3. Doc Cocamonga disse:

    Esse Sonic sofreu por ter essa jogabilidade trackball, bem que poderiam refazê-lo pros dias atuais, as animações eram muito boas, remetiam até as cut scenes do Sonic CD e do OVA. Engraçado que redescobriram mais três jogos para fliperama do Sonic, eu até vou buscá-los pois na Cucamonga abordamos esse aí. Essa parte final era um saco, mas é possível zerar só pra conferir esse jogo perdido. O de luta eu já achei galhofa.

    • Gamer Caduco disse:

      Putz o de luta eu fui jogar pra valer tem pouco tempo, ele obviamente vai entrar aqui na Maratona, então vou evitar o spoiler da minha opinião sobre! kkkk
      Eu gosto das cutscenes do SEGASonic, apesar de ser extremamente japonesas! haha!
      Não sei se me recordo de três jogos de Arcade a mais, lembro de um que o Sonic é tipo um patrulheiro/policial ou qualquer coisa similar, eu tenho receio de jogar isso e ficar deprimido! uhahuahuahuahuhu
      A hora que colocar no Cucamonga eu vou querer ver os outros, certeza!
      Valeu Doc!

  4. Willi Weiss disse:

    Belo post, Cadu! Já joguei esse jogo uma vez, brinquei um pouco mas não fui adiante. Não curto jogos com essa movimentação isométrica. After all, é inegável que este é um título diferente sem ser ruim. Tanto Sonic quanto Mario possuem diversos spin-offs curiosos, que adotam estilos diferentes e inusitados de gameplay, e esse é um deles. Curioso notar o fato de que, uma vez o jogo sendo restrito aos japoneses, é permitido seus detalhes “bairristas” (como a gritaria e os exageros), detalhes os quais costumam ser reduzidos ou eliminados em títulos de lançamento mundial. E esse visual com estilo anime é encantador, eu gostaria de ver mais games da franquia nesse padrão.

    Estou ansioso para saber o que virá de seu teclado sobre Sonic 3! Grande abraço, amigo!

    • Gamer Caduco disse:

      Eu tenho problema com jogos de movimentação isométrica também, Willi. Ainda mais de plataforma, pra mim não fazem o menor sentido. Mas enfim. Tem razão quanto ao fato do jogo ser totalmente bairrista, eu só não sei se ele ser bairrista fez ele ficar só no Japão ou se já sabiam que não iam tirar do Japão e então resolveram deixar totalmente bairrista. Essa é uma dúvida bem cruel. Agora o fato é que esse jogo é curioso em todos os aspectos, acho que deve ser o jogo mais bizarramente divertido da franquia… pelo menos é a sensação que eu tive até o momento com tudo que joguei do ouriço e do encanador.
      Não espere grandes coisas sobre Sonic 3 não, eu tenho meus problemas com ele! hahahahaah
      Valeu Willi!

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