Maratona Sonic: Tails Adventures (Game Gear)

Olá caríssimos leitores, como estão?

Prontos para mais um episódio da Maratona Sonic?

Neste texto vou abordar mais um título solo do melhor amigo do ouriço, outra joia lançada para o comedor de pilhas portátil da SEGA. Chegou a hora de contar a experiência jogando Tails Adventures para Game Gear.

A primeira coisa que temos que considerar aqui é justamente o nome do jogo. Se procurarmos caixas da versão ocidental dele, além de vários textos na Internet que fazem referência, vamos encontrar um segundo nome para ele. Tails Adventure, no caso. Isso aí, no singular.

Só que a própria tela de título e a versão oriental do jogo colocam a palavra Adventures no plural. Considerando a própria tela de título e que o jogo foi desenvolvido no Japão, prefiro ficar com o nome original. Mas aí vai do gosto de cada um.

A empresa responsável pelo desenvolvimento de Tails Adventures foi a Aspect Co, empresa que já tinha desenvolvido conhecidos títulos de 8 bits para o Master System e Game Gear, como a trinca Sonic the Hedgehog 2, Sonic Chaos e Sonic Triple Trouble, além de Deep Duck Trouble e Legend of Illusion. Entre outros jogos.

O Spin Off foi lançado no finalzinho de Setembro de 1995 apenas para o Game Gear, porém acabou aparecendo também na coletânea Sonic Gems Collection da dupla PlayStation 2 e Game Cube, na versão Director’s Cut do Sonic Adventure DX (também do Game Cube) e no Virtual Console do 3DS.

Não é só o nome que foi trocado no Ocidente em relação ao Oriente, mas também o plot do jogo que aparece nos manuais. Quem está acompanhando a Maratona e/ou conhece os jogos da franquia sabe que isso é um padrão, é algo que acontece em outros jogos. Especialmente os de 8 bits.

No Ocidente é mencionado que Sonic e Tails separam seus caminhos e a raposinha resolve curtir umas férias na ilha conhecida como Tails’ Island, quando de repente ela é atacada. Um Flicky avisa nosso herói que a ilha foi atacada e invadida por um exército de pássaros.

Já no Japão é dito que o jogo se passa antes do protagonista conhecer o ouriço azul. Tails está descansando em seu laboratório em Cocoa Island, quando de repente uma grande explosão ocorre. Eis que aparece um Flicky informando que o exército de Battle Kukku está na ilha procurando pelas Chaos Emeralds para depois conquistar o mundo. Então nosso herói resolve salvar o dia. Em algumas traduções que encontrei, também há uma menção que passa a impressão que estes eventos que levaram a raposinha a encontrar pela primeira vez com o Sonic. Seria então a primeira aventura de Tails numa possível cronologia.

Eu particularmente fico do lado dos japoneses mais uma vez. Até porque não faz o menor sentido o Tails simplesmente resolver sair lançando bombas em tudo, ao invés de usar seu ataque tradicional nos inimigos. Sim, eu disse bombas! Já chego lá.

Esta história inclusive aparece durante a apresentação da tela de título de Tails Adventures, sem textos, apenas com animações usando sprites e toda parte gráfica da própria parte jogável.

Uma curiosidade é que este foi o último jogo a ser lançado com o Tails como protagonista solo. Uma pena, a gente sabe o quão carismático ele é, embora aparentemente ele não seja tão popular. Vai entender.

Para fechar esta parte de dados técnicos e curiosidades, o game foi bem recepcionado pela mídia no lançamento. Mais pra frente, com o relançamento no Virtual Console do 3DS, ele acabou ficando com algumas notas mais medianas, que pode muito ter a ver com aquela velha mania de analisar um jogo sem usar a cabeça da época em que ele foi lançado. Aí vem a desculpinha esfarrapada do “envelheceu mal”, coisa que eu nunca consegui concordar em momento algum, com jogo nenhum, e provavelmente vou continuar discordando pra sempre. Muito fácil julgar as coisas depois de trocentos anos já tendo conhecido tantas outras ideias e técnicas, além da evolução da tecnologia em si. Difícil é ter ideias bacanas como as apresentadas neste jogo na época em que ele foi concebido.

Bem, a partir daqui vou contar um pouco de como foi minha experiência com o título.

Primeiro que o jogo começa em um mapa, com duas opções disponíveis: a casa do Tails e uma outra área, que é basicamente a primeira fase. De cara já estranhei a existência de uma casa do Tails. Fui xeretar lá e vi um menu um pouco confuso, com opção de entrar em um Dock (onde nada acontece feijoada, a princípio), equipar itens e outras coisas. Sem entender muito bem, ignorei e fui pra fase.

De cara percebi que o personagem pode lançar bombas nos inimigos. Nada de pulinho girando ou giro no chão pra derrubar o exército dos passarinhos malucos, só bombas. Pelo menos no começo.

Jogando a fase, a sensação era muito forte de estar jogando um jogo de Game Gear. Sabe aqueles jogos que tem a cara do console? Então, este é assim. Gráficos de Game Gear, jogabilidade de Game Gear, música de jogos de Game Gear. Quem é fã do portátil, tipo eu, tem uma primeira impressão espetacular do jogo. Quem é hater pode ficar de bico calado.

Inclusive, quando levei dano pela primeira vez, pude relacionar facilmente o som que toca quando acontece com outros jogos do portátil. Trata-se do mesmo usado em jogos “of Illusion” do Mickey Mouse. Como a empresa já havia desenvolvido Legend of Illusion, aposto que reaproveitaram o som de propósito. A própria movimentação do personagem lembra também jogos do Pato Donald, como em Lucky Dime Caper.

Em pouco tempo também percebi que é possível voar com a raposinha. O que faz todo sentido. Uma barra de fôlego aparece no canto esquerdo, com pouco dela preenchido e se esgotando em velocidade razoável. Já deu a entender que poderiam existir upgrades para o personagem.

Se tentarmos passar voando por determinados pontos das fases, os gráficos passam a exibir folhas voando em uma direção, representando que ali está ventando forte e não é possível ir contra a ventania. Ótimo pra evitar os trapaceiros que querem passar o jogo todo voando e fugir dos desafios.

A vida do personagem é medida em argolas. Começamos com apenas dez e, quando tomamos dano, vamos perdendo quantidades diferentes dependendo do que atingir o personagem. Alguns inimigos deixam uma argola ao serem derrotados e algumas paredes explodidas também.

Em determinado momento eu errei o bastante pra deixar todas as argolas acabarem. O que foi que eu vi? Game Over! Tomei um susto enorme, esperava por um sistema de vidas. Sem problemas, na própria tela de título podemos já dar o Continue. Nele, somos levados a uma tela de Password onde precisamos preencher uma porção de caracteres. Porém, no caso do Continue logo após um Game Over ela já vem preenchida. Ainda bem. Só apertar o Start e retomar a aventura.

Um detalhe interessante na mecânica do jogo é o lance de poder subir degraus e beiradas de plataformas apenas pressionando para frente.

Não demora muito para encontrarmos outros itens. Quando pausamos o jogo, podemos trocar o item equipado. No comecinho ganhamos uma marreta para dano de perto (bastante útil pra matar uns bichos bem chatos que voam em cima da gente) e um robozinho simpático em forma de raposa.

É bem legal selecionar o robô e soltar ele pelo cenário, a câmera passa a acompanhá-lo enquanto o Tails fica lá mexendo um joystick feito um louco, tipo o panaca aqui jogando jogos de luta. O interessante é que ele cabe em buracos que o Tails não passa, além de não levar dano em espinhos e nem passando pelos inimigos. Só me deu um pouco de ódio eu ter demorado pra perceber que o robô voa. Precisamos pressionar pra cima e o botão de pulo estando no chão pra isso acontecer. Perdi um tempinho no começo por causa disso. Outro lado bom é que ele também não é afetado por ventanias. Item extremamente útil, vale a pena usar ele sempre.

Ainda na primeira fase percebemos que não acessamos todos os pontos dela, o que me fez perceber algo que eu ainda não tinha me ligado. Este jogo é um Metroidvania! Não é um jogo de plataforma com fases do jeito tradicional, mas sim um cheio de idas e voltas nas fases do mapa.

Então a casa do Tails passou a fazer sentido pra mim. Ainda mais que só podemos equipar até quatro itens por vez. Algo que me incomodou um pouco. Fiquei sem entender se isso é uma limitação do console ou se fizeram isso pra aumentar um pouco o fator quebra-cabeças do jogo. Eu apostaria na segunda alternativa.

O que me impressionou é que mesmo quando escolhemos quatro itens que não nos ajuda em nada na fase, mesmo conseguindo progredir um pouco nela aos trancos e barrancos e achando algumas gambiarras pra passar, em nenhum momento fiquei preso no cenário e precisei de um reset por não estar preparado. Ponto para os designers das fases que acertaram em sempre dar uma alternativa para fugir de possíveis travamentos. Mesmo quando eles não são muito claros, eles existem. Eu não ia continuar se tivesse que digitar aquela password ridícula. Talvez quando moleque sim, já digitei piores antes, era tenso ficar anotando. Vocês devem ter passado pelo mesmo, aposto!

Pra quem não gosta de jogos deste estilo, onde ficamos perdidos em diversos momentos porque não sabemos onde temos que ir ou o que temos que fazer pra progredir, fica aqui a recomendação pra não jogar o jogo. Ou fazer isso com algum walkthrough, se não ligar. Não te julgarei por isso. Ainda mais que eu precisei usar em 3 momentos. Culpa daquela parede que a gente passa no comecinho do jogo e só consegue abrir depois de muito tempo, quando consegue um item bem específico lá pro fim do jogo. Os designers que fazem isso são sádicos, na boa. Tudo bem, não é a primeira vez que passei por algo do gênero e em nenhum momento estragou minha experiência, muito pelo contrário.

São poucas fases pra gente ficar perdido, ao todo doze. Um dos itens que obtemos ajuda a nos dizer se há algum item escondido na área em que estamos, considerando que uma fase pode ter uma ou mais áreas e este radar só serve para te avisar que aquela área específica tem algum item escondido para ser recolhido.

Mais pro fim teve uma parte que eu estava tomando Game Over direto, simplesmente não conseguia passar, sempre morria. Achei que tinha entrado em um desafio a lá jogos de Nintendinho, mas não era bem isso. O walkthrough me contou que eu precisava de um item pra passar por aquela parte. Então, se vocês forem se arriscar a jogar e passarem por algo similar, lembrem-se que podem ter ficado algum item pra trás.

Em determinado momento o robozinho pode se transformar em uma espécie de submarino, quando obtemos um determinado item. E aí a parte do Dock da casa do Tails passa a fazer sentido também. O lugar também é útil pra outra coisa: recuperar a vida do personagem. Ao entrarmos na casa dele, o número de argolas volta a ser o máximo que ele tem no momento.

Sobre os upgrades, para aumentar tanto o número de argolas máximo que o herói pode carregar quanto o tempo de fôlego para voar, basta encontrarmos as Esmeraldas do Caos. Cada uma delas aumenta um pouco.

Para vocês terem uma ideia, o voo sai de 3 segundos no estágio inicial e chega a 15 se recuperarmos todas as seis esmeraldas. Além disso, o número máximo de argolas salta, de maneira progressiva, de 10 até 99. E vou falar um negócio pra vocês, ter 99 argolas faz uma diferença absurda na reta final do jogo.

Após derrotarmos o último chefe, Tails Adventures te diz qual a porcentagem de itens encontrados que você atingiu. Eu consegui 91%. Mesmo que tenha usado ajudinhas do walkthrough pra me destravar, acho que fui bem o bastante pra não jogar de novo. Não levem a mal, o jogo é competente e divertido. Mas não sei se estou afim de um repeteco num primeiro momento.

Terminei o jogo em uma semana mais ou menos, jogando numa média de meia hora por dia em viagens no metrozão de Sampa. Se você viu um cara estranho jogando um jogo ainda mais estranho do Tails num PSP, era eu, quase certeza. Não é qualquer doido que se dispõe a jogar um Spin Off do Tails assim do além.

Não, eu não usei save states, só o sleep do PSP mesmo. Mesma coisa que a mãe chegar pra assistir novela nos anos 90 e você deixar o videogame ligado pra não perder o progresso do Kid Chameleon. Eu sei que vocês fizeram isso, então parem e julgar o coleguinha de vocês.

De qualquer maneira, reza a lenda que as pessoas que conhecem todo o jogo conseguem finalizá-lo em uma hora e poucos minutos. Se dá para recolher 100% dos itens no processo eu não sei dizer. Mas de primeira é bem provável que vocês vão demorar mais do que isso. O jogo não é tão trivial assim no quesito de exploração.

Se vale a pena? Vale sim, pelo menos pra conhecer! Nem que seja pra não terminar, mas pra entender como funciona. Quem sabe não cativa vocês o suficiente para tentarem ir até o fim?

Meus caros, é isso!

Espero que tenham curtido o texto, espero que gostem do jogo se experimentarem e espero que tenham um Natal e um final de ano maravilhoso!

Sim, eu vou colocar o blog de férias um pouco, provavelmente eu volto em Janeiro com o texto contando tudo que joguei ao longo do ano.

Obrigado pela leitura do post e por todo apoio que vocês vem me dando por todos estes anos de blog!

Grande abraço a todos e até 2019!

Sobre Gamer Caduco

Menino novo, com mais de 30 anos de idade, fanático por games de todas as gerações.
Esse post foi publicado em Game Gear, Jogos, Maratona Sonic, Personagens, Portátil, Sega, Sonic e marcado , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

8 respostas para Maratona Sonic: Tails Adventures (Game Gear)

  1. aki é rock disse:

    Eu joguei a muito tempo e achei legal mas não fui muito adiante nele mas ele vale a pena ser jogado num fim de semana.

  2. volstag disse:

    Fala doutor, esse jogo eu não me lembro de ter jogado, mas parece muito bom mesmo.
    Cara, cheguei até a sua página pelo alvanista, numa postagem bem antiga, sei que lá é meio largado as traças às vezes, mas acho que poderia dar um up aqui se você postasse lá como fazia antes.
    Fica a sugestão.

    • Gamer Caduco disse:

      Opa volstag! Beleza?
      Cara, eu meio que larguei a Alvanista por razões que nem me lembro mais, pra ser sincero… mas tive algumas. A rede ainda está com bastante movimento?
      Sei que ultimamente está um pouco difícil pra mim gerenciar conteúdo em redes sociais. Quando começo a mexer no Twitter, esqueço do resto. Quando começo a mexer no Instagram, esqueço do Twitter. Quando começo a mexer no F… ah não, não mexo no Facebook! hahahaha!
      Mas sério, eu não sei se conseguiria ficar antenado lá no Alvanista, no máximo postaria algo pra linkar mesmo. Infelizmente tá faltando tempo até pra mexer por aqui no blog, o pouco que sobra prefiro investir em jogar mesmo.
      Mas, de qualquer forma, agradeço a sugestão! Vou ver se consigo no mínimo postar os links por lá!
      Valeu Volstag!

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