RetroReview: Alex Kidd in Shinobi World (Master System)

Olá caros amigos “retroaventureiros”, como estão?

Antes de escrever qualquer coisa, permitam que eu já comece com meus rotineiros disclaimers.

Peguei o termo “retroaventureiros” emprestado de propósito para começar este post. Para quem se lembra, este termo sempre foi utilizado pelo Sabat lá no Retroplayers, antigo site de jogos antigos que agora virou a nostalgia sobre a nostalgia, já que ele acabou saindo do ar para que seu dono começasse uma carreira solo.

Não estava sabendo? Então antes mesmo de continuar lendo o post, clique neste link aqui e já deixa a aba aberta para depois conhecer o RetroSABAT, site do ex líder dos Retroplayers nos tempos de ouro dos blogs de retrogames.

Bem, estou meio que criando uma nova seção no blog, que na verdade será composta por reposts de textos que escrevi no site. Estou chamando a seção de RetroReview, também em homenagem ao site. Os posts terão categoria dupla, já que farão parte de RetroReview e também de Review.

Só avisando que eu conversei com o Sabat antes de fazer isso. Não seria justo sair publicando sem ter algum tipo de autorização de usar algo publicado no espaço dele.

Enfim, Alex Kidd in Shinobi World foi o primeiro texto que publiquei no Retroplayers e gostaria de compartilhar este texto com vocês, leitores. O texto foi ao ar dia 11/01/2013, já tem um bom tempo.

Muito do meu estilo de escrita mudou de lá pra cá e talvez isso fique nítido com o texto, pois vou publicar ele na íntegra e ele começa a partir de agora. Ótima leitura a todos e fiquem a vontade para comentar!


Olá caros amigos Retroaventureiros! Como estão?

Sejam bem vindos ao meu primeiro texto como estagiário da equipe do Retroplayers.

Alguns de vocês devem me conhecer dos comentários do próprio site e/ou do meu blog pessoal onde eu já compartilhava com a Internet algumas histórias e pensamentos em textos um tanto quanto grandes. Também participei do último RetroCast gravado (sobre a E3 2012), embora eu tenha falado pouco. Pra quem não conhece, digamos que sou como vocês, um apaixonado por games que gosta não só de jogar, mas de falar sobre o assunto. Além disso, sou muito fã de Sonic. Desde já adianto que é um prazer “inenarráiver” estar escrevendo no site que mais me inspirou a compartilhar minhas idéias gamísticas na grande rede e agradeço muito ao Sabat pelo convite. Vou começar falando de um game que me divertiu muito na minha infância e que é querido por muita gente. Desejo a todos uma ótima leitura.

Era começo dos anos 90, muito provavelmente 1991 ou 1992. Eu era apenas um garoto apaixonado por videogames com meu Master System e alguns jogos, quando recebi a visita de um amigo de outra cidade (que hoje não tenho mais contato) e que também tinha o console. Ele apareceu em casa com uma caixa grande cheia de cartuchos (era, digamos, bem de vida). Entre vários títulos que eu nunca tinha nem ouvido falar e outros mais conhecidos de jogar ou que vi em alguma revista, um deles me chamou a atenção: Alex Kidd in Shinobi World. Na hora já questionei este amigo a respeito do jogo e ele me respondeu exatamente com as palavras esse jogo é um sarro. Na hora não entendi direito o que ele quis dizer com isso, também não conseguia entender como era possível misturar Alex Kidd com Shinobi. Eu adorava Miracle World e Shinobi, ambos também do Master. Aliás, quem não adorava, né? Sei que imaginei muita coisa naqueles minutos antes de colocar o cartucho no console e sair jogando.

Depois de jogar eu entendi o que o amigo quis dizer com aquela frase. Eu não sabia o que era “paródia” na época, então imaginem que eu entendi como uma grande piada. Mas de muito bom gosto, pois de cara eu achei o jogo muito bacana. Não a toa eu aluguei muito esse jogo na minha infância, mesmo que eu já o tivesse terminado muitas vezes.

Alex Kidd in Shinobi World é justamente isso, uma paródia de Shinobi utilizando o mascote da SEGA na época como protagonista. As fases, os cenários, os inimigos, as armas e tudo mais foram retirados do jogo original. Inclusive muito da própria mecânica do jogo, que é bem diferente de outros jogos que o Alex Kidd protagoniza, sendo um jogo de Plataforma com muita Ação.

Mas como é que conseguiram juntar os dois universos em um único jogo? Bem, a coisa aconteceu da seguinte maneira: Alex estava junto com sua namorada em um jardim do planeta Shinobi, quando de repente o céu escurece e um maléfico ser aparece e a sequestra. Enquanto nosso herói está aos prantos, surge o espírito de um guerreiro antigo. Este explica que o vilão chama-se Dark Ninja e que havia sido banido por ele há 10000 anos. Porém que ele havia retornado. Além disso, ele também explica que o ser maléfico pretende manter sua namorada como refém em busca do poder supremo. Logo após toda esta explicação, o espírito diz que vai ajudar o rapaz a salvar sua namorada e se funde ao corpo dele, emprestando-lhe seus poderes para que Alex não precise apelar para o Jankenpo! Tudo isso é mostrado na abertura do jogo. Não que toda esta estória importasse para mim na época, eu só queria era saber de jogar!

O jogo possui quatro fases, chamadas de Rounds, que são subdivididas em três estágios cada, sendo o último a luta contra o chefe (ou líder, como queiram). Primeiramente, Alex enfrenta os inimigos na cidade, passando por um prédio em construção, para depois ficar frente a frente com Kabuto, paródia de Ken-Oh no original. No segundo Round, o protagonista passa por um porto, até encontrar Heli, que na verdade é um monte de mini helicópteros que lembram tanto o segundo quanto o terceiro chefes de Shinobi, respectivamente Black Turtle (um helicóptero) e Mandara (uma porção de estátuas, a referência seria a quantidade de inimigos). Já no terceiro Round, primeiro Alex passa por uma cachoeira e depois por um bambuzal, até encontrar Robster, paródia de Lobster no original, e que aqui é de fato uma lagosta! A última fase passa-se na mansão de Hanzo, o Dark Ninja. Naturalmente, o último chefe. Ele possui ataques muito similares ao do Masked Ninja, vilão do Shinobi. Nesta fase o herói deve enfrentar novamente Kabuto e Robster, além de passar por plataformas que somem e aparecem (qualquer semelhança com as ideias de Mega Man pode OU NÃO ser mera coincidência).

A dificuldade do jogo é progressiva, mas nem nos últimos estágios o jogo chega a ser muito complicado. É muito mais uma questão de memorizar a fase e os padrões dos inimigos e podemos vencer o jogo tranquilamente. Além disso, o jogo é linear e bem curto. Se souber de cabeça o jogo inteiro, dá pra terminá-lo em menos de 15 minutos. Mesmo assim, não deixa de ser uma experiência muito bacana, ainda mais pra quem já jogou Shinobi. Como já foi dito, tudo é parodiado dele, inclusive as músicas. Não tem como não se divertir.

Além disso, a jogabilidade é bem solta, tudo flui muito mais rapidamente que no clássico do Master. Inicialmente, Alex possui uma espada para atacar seus inimigos, destruir blocos de tijolo e abrir baús. Nestes baús ele pode encontrar diversos power ups, como vidas extras, energia extra e aumento de força. Ele também pode encontrar dardos, fazendo com que seu ataque seja arremessá-los e não mais o uso da espada. Outro item que pode ser encontrado nos baús é uma esfera que dá poderes especiais, fazendo com que ele se transforme em um ciclone e possa voar livremente pela tela destruindo todos os inimigos. Ou furacão, como eu chamei na época.

Um fato curioso que talvez algumas pessoas não saibam é que o jogo não era para ser estrelado pelo Alex Kidd. Na verdade ele se chamaria Shinobi Kid e seria apenas uma paródia caricata do jogo original da SEGA. E não pára por aí: o primeiro chefe, Kabuto, na verdade se chamaria “Mari-Oh” e seria uma sátira descarada do encanador bigodudo mascote da Nintendo. Inclusive algumas características do inimigo foram mantidas, como as bolas de fogo que ele atira (referência à Fire Flower) e o fato dele encolher quando está quase sendo vencido. Acredito que o fato dele pular ao ser derrotado também seja uma referência à quando Mario perde uma vida. Pra alegria dos fãs, o garoto genérico foi substituído pelo Alex Kidd.

O jogo foi bem recebido pela crítica da época, que fez diversos elogios ao trabalho da SEGA. Mas o mais importante de tudo é que ele foi muito bem recebido pelos fãs do mascote da empresa. Especialmente aqui no Brasil, onde ele mora no coração de muitos retroaventureiros. Foi o último jogo protagonizado pelo personagem, que acabou sendo substituído como mascote logo em seguida por aquele ouriço super sônico que também adoramos! Com certeza foi uma despedida muito digna.

O game envelheceu bem e continua divertido. Pode não ser um Alex Kidd in Miracle World ou um Shinobi, mas é como se fosse uma boa mistura dos dois e até hoje continuo tendo a mesma diversão de quando joguei a primeira vez. Quem ainda não experimentou este título deveria fazer isso assim que possível.

FIM

Sobre Gamer Caduco

Apenas mais um cara que nasceu nos anos 80 e que desde que se conhece por gente curte muito videogames, não importa a geração.
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7 respostas a RetroReview: Alex Kidd in Shinobi World (Master System)

  1. Esse jogo é realmente muito bom, apesar de curto, um dos melhores do Master. Acho particularmente divertido girar nas barras e sair voando como uma bola de fogo destruindo os blocos e os inimigos, esse jogo também têm bastante itens secretos, o que aumenta um pouco a duração do game.

    • Cara, girar nos postes é muito satisfatório, especialmente nas partes que a gente vai na vertical destruindo tudo quanto é bloco. Mecânica simples e satisfatória, é inexplicável… hahaha!
      Este jogo é sim excelente, tento explicar isso pra galera que costuma ter birra do Master, mas é difícil de convencer essa povo, viu… rs
      Valeu Thiago!

  2. aki é rock diz:

    Joguei muito no meu Master na época adorava o jogo mas nunca cheguei a zerar quando era criança. Esse jogo tem uma ótima trilha sonora pelo me lembre uma jogabilidade até que aceitável pra época preciso um dia jogar de novo.

  3. helisonbsb diz:

    Zerei esse clássico uma vez…fã da série Shinobi do poderoso Mega Drive, era obrigatório detonar esse clássico Alex Kid da vida 8 bits!!!! valeu!!!!

    • Olha só, Helison vc voltou com tudo, hein? kkkkkk
      Vi todos os seus comentários, vou um a um aqui.
      Enfim, sim, este jogo é quase que obrigatório para quem gosta de ninjas, especialmente quem gosta do Shinobi em qualquer plataforma.
      Legal que ele é curtinho, dá pra revisitar sempre!
      Valeu Helison!

  4. Eu nunca joguei esse game >.< pronto! Agora vou embora antes das pedras voarem!
    Sim, é outro pecado gamístico meu de Master System e que tenho que jogar, mas de certa forma eu conheço tudo desse jogo só de ficar lendo sobre ele nas revistas da época e depois que li esse review tb lá em 2013. Engraçado que joguei e terminei Shinobi de Master, adoro ninjas, mas nunca joguei esse game… mas tem outro detalhe tb! Eu nunca vi esse jogo em locadora nenhuma da minha cidade na época para alugar. Sinceramente acho que os donos só davam bola para o Alex Kidd In Miracle World mesmo.

    Fica mais um aê para futura jogatina e conversa contigo Cadu.
    Abração. Ivo.

    • Ivo, fica tranquilo que esse jogo era até meio que obscuro na época, acho que ninguém vai querer te apedrejar desta vez… rs. É bem o que vc falou: a galera dava bola só pro Miracle World. Talvez tenham conhecido os outros jogos do personagem e não tenham curtido, dificilmente a gente encontra alguém que gosta deles… hahaha. Daí no fim o Shinobi World acabou sendo ignorado por muitos que podem ter duvidado da qualidade. Confesso que não lembro de reviews das revistas da época.
      Mas sobre a qualidade do game especialmente em relação à biblioteca do Master, posso dizer que acaba sendo sim um pecado gamístico. Quando estiver na pegada de explorar os jogos do console que ainda não conheceu, dá uma certa prioridade pra ele, acho que vc não vai se arrepender.
      Valeu Ivo!

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