Polemicaducas [Retrô]: Em Busca do (Novo Velho) Sonic Perfeito

Olá caríssimos leitores, estão bem?

Este é mais um texto que foi feito para o Retroplayers no passado e colocado no ar em 07/07/2015.

Então leiam como se estivessem nesta época, antes do lançamento do Sonic Mania e tudo mais.

O texto está indo na íntegra como sempre, e foi colocado de propósito logo após o post sobre Sonic 2006. Se eu já estava incomodado na época, imaginem como estou logo depois de passar por esta experiência terrível.

Só mudei o formato dele, pois na época ele foi colocado no Retroplayers no formato de “carrossel”, em que cada tópico foi apresentado em uma espécie de “sub página”.

Também resolvi colocar observações a cada tópico, com uma análise minha sobre o que eu pedi e o que foi entregue desde então.

Espero que gostem, ótima leitura a todos!


Meus caros e minhas caras, como estão? Espero que bem, pois a franquia Sonic the Hedgehog não está nada bem.

Aliás, que ela entrou em um declínio enorme todos já sabem e eu não preciso lembrar ninguém, né? Por mais que eu seja fã do principal mascote da SEGA e de seus jogos, inclusive os que muitos detestam, eu reconheço isso. Desde que saímos da Era de Ouro dos games o mascote alterna entre jogos bons, razoáveis e terríveis.

Os dois primeiros jogos lançados para o Mega Drive foram bombásticos em qualidade e número de vendas, isso é inquestionável. Não podemos esquecer também a incrível junção do 3 com o Sonic & Knuckles. Nunca saberemos o que seria do Megão sem a série, por mais que este tenha inúmeros títulos grandiosos e que fazem com que este seja considerado por muita gente (inclusive pelo velho Caduco aqui) o melhor console de todos os tempos.

Mas fiquei me perguntando: por quê de repente a série se apagou? O que foi que aconteceu que fez com que tanta gente largasse a franquia? As respostas para estas e outras perguntas estão mais do que certas na cabeça de muitos jogadores. Pensando nisso resolvi fazer um exercício mental, onde meditei sobre fatores que poderiam fazer com que os jogos do ouriço voltassem a ser respeitados.

Sonic pode ter perdido muito de seu prestígio, mas ainda tem o respeito de muitos que começaram a jogar videogame nas primeiras gerações. Creio que um título bem feito faria com que as pessoas se apaixonassem de volta pela franquia. Querem um exemplo? Desde que a Ubisoft resolveu lançar Rayman Origins, a franquia recuperou o prestígio que tinha e ainda conquistou novos fãs, ainda mais pelo fato de ser raro vermos um jogo plataforma 2D decente que não seja feito por desenvolvedores independentes. Ainda mais utilizando sprites ao invés de um jogo com gráficos 3D e jogabilidade 2D (o vulgo 2.5D). E olha que Rayman nem era um mascote de tanto peso assim, convenhamos.

Outro bom exemplo vem do passado. Vocês se lembram de Donkey Kong 64? O jogo não chega a ser ruim na opinião geral, mas diferentemente de todos os outros jogos da série Donkey Kong Country, acabou afastando muitos jogadores que preferiam a jogabilidade 2D que consagrou a série. Mas estávamos na tal era do 3D, tudo quanto era franquia estava sendo adaptada para universos em 3 dimensões e a Nintendo quis arriscar um título do seu mais novo console desse jeito, já que com Mario tinha dado muito certo. Só que ela foi esperta o suficiente pra perceber e aceitar que isso não deu tão certo quanto ela esperava e os jogos do macacão engravatado desde então são lançados somente com a jogabilidade clássica.

Com Sonic foi quase a mesma coisa, com a diferença que a SEGA não aceitou que colocar seu principal personagem em um mundo 3D não deu certo. E acredito que ela não percebeu ainda que seu mascote não é tão versátil quanto seu eterno rival. Tanto que continua tentando prostituir o personagem em coletâneas, jogo de corrida de kart (embora, na minha humilde opinião, os dois jogos do gênero sejam bastante divertidos), jogos de tennis, entre outras coisas, incluindo um tal jogo de aventura chamado Sonic Boom que nem de longe lembra as principais características que consagraram a franquia.

[UPDATE de 2021: que droga pensar que eu ainda vou ter que jogar essa birosca de Sonic Boom pra valer um dia]

Não me entendam mal, mas até já defendi alguns jogos lançados após Sonic Adventure 2. Acho Colors e Generations bons jogos, divertidos e que de alguma forma a gente consegue enxergar como um jogo do ouriço. Com muito custo consegui gostar inclusive de Unleashed (que usa a mesma engine dos outros dois). Mas existe um abismo enorme que separa os jogos lançados nas gerações 8 e 16 bits e estes citados, incluindo os jogos de Dreamcast.

E quanto à tentativa de voltar às origens em um jogo 2.5D? Sim, estou falando dos dois episódios de Sonic 4. Ambos cheios de problemas de Level Design e física, entre outras coisas. Baixei muito o meu senso crítico pra conseguir me divertir com eles, mas não tenho mais a menor vontade de voltar a jogá-los. Totalmente diferente do que acontece com os jogos de Mega Drive e Master System / Game Gear que eu jogo um pouquinho pelo menos de tempos em tempos.

Foi de propósito que deixei de citar os jogos lançados para portáteis, pois estes possuem sim bastante da essência dos primeiros jogos da série. Os três Advance (GBA), os dois Rush (DS), Colors (DS) e Generations (3DS) podem ser considerados sim bons jogos. O problema é que muita gente não curte jogar em portáteis e acaba deixando esses jogos de lado. Prefiro não falar sobre os dois Rivals de PSP, já que possuem uma proposta bem diferente da série clássica (são jogos muito mais voltados para corrida em 2D do que plataforma).

Os últimos jogos lançados para as atuais plataformas da Nintendo me decepcionaram um bocado. E sei que não fui o único. O de Olimpíadas eu nem preciso citar. Lost World conseguiu virar um Mario genérico e não tão bem feito quanto os jogos do encanador, isso sem falar na física esquisita que você percebe nitidamente ao jogar as fases em 2D. E Sonic Boom… bem, eu já fiz um preview aqui lá no Retroplayers, vocês sabem qual é a minha opinião, quem não viu pode poderia conferir clicando aqui [UPDATE 2021: como é do conhecimento de muitos, o site saiu do ar e tal. Eu ainda vou repostar o preview, mas pretendo fazer isso próximo ao texto da Maratona Sonic sobre o jogo. Peço desculpas por quaisquer inconvenientes. Só afirmo uma coisa: eu odiei a demo do jogo]. E mesmo as versões desses dois jogos para 3DS também não agradaram, ou seja, a SEGA-Sammy conseguiu errar até onde estava acertando antes.

Sei que a introdução do texto ficou extensa, mas eu precisava lembrar desses pontos antes de dizer o que eu espero de um jogo da franquia que na minha concepção pode colocar o ouriço de volta entre as franquias mais adoradas pelos jogadores. Vou começar a destrinchar aqui:

1. Adeus mundo 3D, olá novamente mundo 2D com Sprites

Eu talvez nem precisasse dizer isso, mas é lógico que a franquia deve abandonar o mundo 3D. Agora complemento que deve sumir não somente a jogabilidade 3D, mas a parte gráfica também.

Como disse lá em cima, com Rayman Origins/Legends a ideia deu muito certo, acredito que um Sonic bem feito com sprites grandes e tudo caprichado teria um sucesso ainda maior. Com os hardwares evoluídos como estão hoje, daria pra fazer um trabalho muito bacana.

[UPDATE 2021: Sonic Mania fez isso e foi um sucesso. Eu estava certo. Próximo.]

2. Física clássica

Um dos maiores problemas com Sonic 4 foi justamente a física estranha. Até em Generations a física não ficou tão parecida com os jogos do Mega Drive e isso afastou muitos jogadores.

Quando eu falo física clássica, vale toda movimentação do ouriço exatamente da forma como era na geração 16 bits, ou seja, apertou pra baixo na descida o bicho ganha velocidade cada vez maior, dependendo da descida. Além disso, o pulo tem que ser na mesma velocidade e altura. Fora que apertou pro lado o Sonic ganha velocidade rapidamente e se largar o direcional ele perde aos poucos. E sem conseguir ficar parado na parede, como aconteceu no episódio I do Sonic 4.

Acho que isso já ganharia muita gente.

[UPDATE 2021: felizmente o Christian Whitehead mandou muito bem nos ports de Sonic para mobile, foi chamado para fazer o mesmo em Sonic Mania e acertou em cheio na física do personagem. E Sonic Mania foi o quê? Sucesso! Então talvez eu tenha acertado novamente.]

3. Homing Attack? De jeito nenhum!

Pra quem não sabe, Homing Attack é aquele ataque que o ouriço executa quando está no ar e surge uma mira em algum badnik ou qualquer outro inimigo. Isso foi criado para auxiliar em jogos 3D, não tem cabimento colocar este movimento em um jogo 2D. Pior ainda é criar fases se apoiando nesse movimento.

O que o ouriço precisa ter é Spin Dash (a bolinha no chão criada em Sonic 2). Somente!

[UPDATE 2021: Sonic Mania não tem Homing Attack e foi um sucesso. Só que eles adicionaram o Drop Dash, que parece ter sido bem aceito pela comunidade. Eu sinceramente joguei Mania sem usar isso, não faz diferença para mim. Ou faz, pois o importante mesmo é que o design das fases não é pensado nele, ou seja, não é necessário utilizá-lo. Eu falo um pouco melhor no próximo tópico (já na época), então vou deixar pra complementar nele.]

4. Level Design como nos velhos tempos

Isso parece meio óbvio, não parece? Mas não se vê isso nos últimos jogos.

Como falei, Level Design apoiado em Homing Attack é um desastre. E Sonic 4 tem muito disso. Ou nos movimentos que envolvem o Sonic e o Tails agindo em conjunto. Tudo bem ter partes que o jogador possa se aproveitar do recurso, mas deixe isso escondido e não totalmente óbvio. Como era Sonic 3 e Sonic & Knuckles, áreas que você consegue chegar voando e sempre tem alguma surpresa.

Depois de inúmeras conversas com o Sabat [link para o blog dele], ele conseguiu me convencer que tem algo que precisa urgentemente desaparecer dos jogos do ouriço e que surgiram nesta era moderna: os artifícios que te impedem de voltar pra explorar as fases. Molas que te forçam pra frente ou te colocam em outro layer em especial. Isso não combina com Sonic, embora funcione em alguns outros jogos (como os canos em jogos do Mario que as vezes não permitem volta e te fazem jogar a fase de novo). Pior de tudo são paredes invisíveis que você pode presenciar em Sonic Colors e Generations. É broxante, não tem termo melhor.

Se as fases forem bem construídas, com vários caminhos, passagens secretas, fases com características diferentes (uma com água, outra com areia, e por aí vai, são só exemplos), fases abertas pra correr, fases que te fazem jogar de forma cadenciada (que nem, por exemplo, a Marble Zone). Dá pra ter muita ideia em cima disso, desde que o jogo te dê liberdade de movimentação pelo cenário.

[UPDATE 2021: pois é, continuo achando ruim a questão do level design baseado em comandos, algo que eu já falei e repito: Sonic Mania não tem. E como foi a recepção dele mesmo? Sucesso. Eu sei, estou sendo chato por estar sendo repetitivo com a questão do Mania, mas eu comemoro muito o lançamento dele até hoje. Vale dizer aqui também que eles foram capazes de equilibrar muito bem o ritmo do Mania também, utilizando vários elementos do Sonic clássico misturados em fases de correria e fases mais cadenciadas. Não a toa fez o sucesso que fez, quem não gosta pode choramingar a vontade.]

5. Trilha sonora cativante

No geral a franquia teve trilhas sonoras bem construídas, mas nada do ouriço supera as trilhas dos dois primeiros jogos do Mega Drive e do primeiro Sonic the Hedgehog de Master System e Game Gear.

As músicas combinam muito com as fases, peguem por exemplo a de Oil Ocean de Sonic 2. Não tem tudo a ver com a fase? Infelizmente isso meio que se perdeu com os jogos mais atuais, que entregam músicas legais, é verdade, mas não tem o mesmo carisma dos jogos mais clássicos.

Então, na minha humilde opinião, a SEGA deveria chegar pro Masato Nakamura e dizer “Nakamura-san, queremos que o senhor componha a trilha sonora do novo Sonic. Repita o milagre dos dois primeiros jogos, nós imploramos”. E seria o fim da “guitarraiada cool”, que até é legal, mas já deu o que tinha que dar.

Com certeza surgiria uma trilha sonora épica!

E se ele não quiser, chamem o Yuzo Koshiro!

[UPDATE 2021: eu confesso que ri desta parte, da forma como escrevi. Aqui eu errei feio, porque o Tee Lopes fez um trabalho espetacular com Sonic Mania. Não só nos remixes das músicas já conhecidas, antes que alguém reclame. Mas as músicas novas também são muito marcantes. Não foi necessário contar com os dois mencionados no texto original, muito embora eu acredite que eles também teriam feito um trabalho espetacular. Pena que outros jogos lançados no mesmo ano que o Mania não tiveram a mesma repercursão.]

6. Esqueçam os episódios

Uma das maiores besteiras que a SEGA fez em Sonic 4 foi transformá-lo em algo episódico. Muita gente se incomodou com o fato do jogo parecer incompleto. Confesso que não foi o meu caso, tudo bem eles lançarem um conjunto de fases e depois lançar outro, isso até ajudou a melhorar a física no segundo episódio (embora tenha ficado longe do ideal, como sabemos). O problema é que fizeram isso pelo preço de jogo digital completo (15 dólares). Isso na época pegou muito mal e eu vi reclamações de muita gente. E com razão.

Não, mil vezes não, SEGA! Pode ser o jeito certo de conseguir uma grana extra, e sei que cada episódio homenagearia um jogo clássico da franquia, mas não faça um negócio desses. Quer ganhar mais dinheiro em cima de um jogo? Que tal entregar algo completíssimo e lançar DLCs que não sejam banais e nem necessários para conclusão do jogo, mas que aumentam a experiência? Novas fases, desafios, etc. Conteúdo bônus mesmo.

Mas o jogo tem que ser completo em um único lançamento.

Inclusive seria bem interessante deixar umas escondidas, como fizeram com a Hidden Palace Zone na versão remasterizada de Sonic 2, lançada para dispositivos mobile. Vão falar que não ficaria bacana?

[UPDATE 2021: adivinhem só de quem eu vou falar. Sim, Mania. Não que tenha fases escondidas nele, mas algumas fases ficaram parcialmente parecidas com as clássicas, com partes estendidas. E o preço? Foi preço de jogo digital também, mas uma experiência completa. E a DLC? Baratíssima, adicionou personagens e mais uns extras. Muito mais valor tanto no jogo em si quanto na DLC dele. Enquanto isso, outros jogos adicionaram o Super Sonic para ser usado sem conseguir as sete Chaos Emeralds. Nem falo nada.]

7. Jogo clássico precisa ter plot clássico

Esqueçam novos vilões, esqueçam atitudes heroicas para salvar o Universo inteiro, esqueçam aquele papo da raça humana ameaçada e surge um herói cheio de atitude e falas que dão vontade de esmurrar o console até virar poeira. Não, Sonic Team, sabe o que a gente quer? Um cientista humano maléfico transformando criaturas fofinhas e indefesas em máquinas bizarras e outras invenções para seu próprio interesse.

Tudo bem este Doutor maluco causar algum problema maior e ameaçar o planeta inteiro roubando uma esmeralda importante, mas isso está mais pra consequência dos atos dele.

[SONIC 2021: o duro é que o Robotnik ainda quer dominar o mundo, então não tem muito o que fazer. Ainda assim, prefiro plots simplificados, para não gerar algumas coisas bizarras como a que será dita no tópico seguinte e que eu infelizmente acabei assistindo no começo deste ano.]

8. Sem humanos e sem zoofilia

Sinceramente, eu acho um pouco exageradas algumas reações de jogadores quanto ao fato do Sonic interagir com humanos em Sonic Adventure. Mas como já falei, concordo que Sonic bom é aquele onde o negócio é salvar animais presos em máquinas e frustrar qualquer tipo de plano do Dr. Robotnik de fazer mal ao planeta.

Agora salvar princesas e outras pessoas? Deixe isso pra encanadores, SEGA! Ainda mais com beijo no fim. Nos poupe disso!

Aliás, se puder cortar 98% das cutscenes de todos os jogos do Sonic que saíram nos últimos jogos da franquia, a gente agradece.

[UPDATE 2021: aqui eu vou discordar de mim mesmo, não precisa cortar as cutscenes, basta deixá-las iguais às do jogo que eu mais mencionei aqui: Sonic Mania. Cenas sem diálogos apenas para fazer um link entre as fases é uma ideia excelente. Outras cenas que eu aceitaria seriam tipo as da excelente animação Sonic Mania Adventures. Pena que vai ficar só nos meus sonhos, mas teria uma baita relação com Sonic CD, um dos episódios mais queridos pelos jogadores.]

9. Mais personagens jogáveis? OK, mas não força a barra!

SEGA, vc deve saber que nós gostamos do Tails e aprendemos a nos acostumar com o Knuckles (antes dos anabolizantes). E eu particularmente gostei da inclusão de alguns personagens nos Sonic Advance e até algumas ROM Hacks que incluem Amy e outros em jogos clássicos como o primeiro Sonic, embora este último caso nada tenha a ver com a empresa.

Ou seja, nada tenho contra a opção de jogarmos o jogo com outros personagens. Mas não nos force a fazer isso. Uma das coisas que mais me irrita nos dois Sonic Adventure é justamente o fato de sermos obrigados a fazer coisas que não queremos pra ver a história completa. Procurar fragmento de esmeralda é um saco, SEGA. Pescar sapo então nem se fala.

Então no próximo super jogo 2D que vocês vão criar depois de ler este post, podem colocar outros personagens nos possibilitando explorar melhor o cenário, seja voando com o Tails, ou escalando com o Knuckles ou seja lá qual for o meio. Ou até aumento de dificuldade jogando com personagem que não gira e bate com martelo. Absolutamente nada contra, aliás, sou a favor de ter isso. Mas que seja algo opcional.

De preferência deixe como desbloqueável depois de terminar com o Sonic.

[UPDATE 2021: caçarola, Sonic Mania faz tudo isso. Tem personagens extras até em DLC, eles auxiliam a explorar melhor o cenário e tudo mais, mas não são obrigatórios para dar sequência em história ou algo assim. Fizeram exatamente o que eu queria em 2015 e eu curti demais.]

10. Special Stages

Por incrível que pareça, nesse ponto a SEGA tem acertado muito nos últimos jogos. Até as fases de bônus de Sonic Lost World conseguiram ficar divertidas, apesar do jogo (pelo menos a versão de 3DS que joguei) ser totalmente sem sal e sem personalidade.

Nesse ponto eu tenho confiado no bom senso da empresa, legal eles aproveitarem inovações de dispositivos. São fases de bônus, não vamos surtar a toa.

Se neste novo jogo puderem manter esta pegada e a forma de acesso de um dos dois primeiros de Mega Drive (argola no fim da fase ou Check Points durante a fase), ficaria ótimo.

Desculpem, não tenho paciência para buscar argolas gigantes escondidas na fase como em Sonic 3 e Sonic & Knuckles.

[UPDATE 2021: e aqui eu errei e preciso dizer que mudei de opinião da época de 2015 para os dias de hoje. O lance de poder retomar o mesmo save e tentar encontrar as argolas gigantes e pegar as Chaos Emeralds dá um certo fator replay e eu passei a ver valor nisso depois de rejogar Sonic 3, Sonic 3 & Knuckles e depois, claro, de jogar Sonic Mania, onde eles repetiram a fórmula. Inclusive eles misturaram com o lance dos checkpoints com Bonus Stages, ou seja, tudo ficou melhor do que eu imaginava.]

11. Super Sonic… SÓ SUPER SONIC!

Quem aqui não se lembra da primeira vez que viu o Super Sonic? Para mim foi um marco na história dos videogames, tão importante que é mantido até hoje.

Mas da mesma forma que o Super Saiya-jin que originou a ideia do super ouriço, a transformação acabou virando algo banal. Já tem Super Shadow, Super Silver e por aí vai. Eu não gosto disso e posso estar enganado, mas acho que não sou o único que vê isso como algo ruim.

Deixem a transformação apenas para o principal personagem da franquia, SEGA. Ou ele acaba deixando de ser um personagem especial e se torna apenas mais um.

Para os outros personagens jogáveis, apenas mudem o final do jogo. Não a jogabilidade.

[UPDATE 2021: aí o Sonic Mania colocou o Super Tails e o Super Knuckles, que de certa forma é algo bacana com os personagens que estão aí na franquia há bastante tempo. Ao mesmo tempo, chefe extra e final especial só é liberado com o Super Sonic. Eu curti demais esta abordagem, se aproxima do que eu pedi. Achei uma solução ainda melhor do que eu imaginava em 2015.]

12. Nem todo jogo de plataforma precisa de mapa de fases

Lembro que quando vi pela primeira vez Super Mario World aquele mapa das fases eu achei a coisa mais legal do mundo e queria aquilo de toda forma em jogos do ouriço também.

Aconteceu que os jogos passaram a ter isso e… não é que eu queria que voltasse ao modo original? Sim, SEGA, eu quero que o jogo perfeito do Sonic tenha fases contínuas sem possibilidade de escolher se quer entrar nessa ou naquela. Podem ter caminhos diferentes, finais diferentes, vocês podem inventar a maluquice que quiser nesse sentido, mas tirem o mapa de fases do jogo.

Deixem como Sonic 3 & Knuckles, salvando o progresso automaticamente conforme as fases são passadas. E com vidas e Continues limitados. Perdeu? Volta lá do começo, não importa o quão enorme é o jogo. E que não reclamem disso, pois estarão entrando em contradição com aquela ideia besta de que os jogos precisam ter não sei quantas horas de duração porque custa não sei quanto.

E que não seja fácil conseguir vidas como é nos jogos atuais do Mario.

[UPDATE 2021: bom, Sonic Mania seguiu quase tudo isso, deixou com o progresso salvo automaticamente, mas a gente pode retomar se acabar vendo o Game Over. Fora que é fácil demais acumular vidas nele, mas até aí tudo bem, acho que acabou tornando o jogo mais acessível pra quem era fã de Sonic e não joga mais tanto assim nos dias de hoje (vi isso acontecer com mais de uma pessoa). Outro ponto que gostei mais da solução do que o que eu havia pedido. Já Sonic Forces tá lá todo “bonitão” (ironia) com o World Map dele, exatamente o da imagem selecionada para este repost.]

13. Enjoy the silence

Caramba, SEGA. Vocês não sabem ainda que a gente detesta quando o ouriço magricelo abre a boca pra falar qualquer coisa? É claro que sabem, lembro que isso foi dito durante o processo de criação do Sonic 4. Então por que diabos vocês voltaram a colocar vozes em jogos do ouriço e sua turma?

Em Sonic Boom, que a gente deve esquecer que um dia existiu e nem deveria ser mencionado aqui, os personagens ficam falando durante o gameplay. DURANTE! Por quê? O que fizemos para merecer isso? Aliás, o que fizemos para merecer Sonic Boom? Credo.

Deixem todo mundo em silêncio, por favor. E queremos ouvir barulhinho quando personagem pula e não “iá”, “rá”, “cool”, “awesome” ou qualquer coisa assim. E não barulho que tenta ser realista, queremos aquele PUUUU dos jogos clássicos. Aquele do Classic Sonic do Generations.

E tirem as cutscenes… eu já falei isso, mas vale a pena repetir!

[UPDATE 2021: Sonic Forces manteve essa pataquada toda e teve o retorno que teve, notas medianas e tudo mais (por mais que tenha gente tentando provar o contrário com reviews de fanboys). Sonic Mania deixou tudo clássico, mudo, com o tal do “PUUU” e o escambau. E como a comunidade e os críticos reagiram? Sucesso! Enfim…]


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Sobre Gamer Caduco

Apenas mais um cara que nasceu nos anos 80 e que desde que se conhece por gente curte muito videogames, não importa a geração.
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6 respostas a Polemicaducas [Retrô]: Em Busca do (Novo Velho) Sonic Perfeito

  1. Jean Santos diz:

    Fala, Caduco. Primeira vez que eu comento – mas não é a primeira vez que acesso o site. Que legal que tá recuperando as matérias do finado Retroplayers. Ah, e parabéns atrasado por chegar no enta. Muita saúde e paz.

    • Fala Jean, muito obrigado, meu caro!
      Pelo comentário, pelos parabéns e pelos votos!
      Estou sim recuperando os textos do Retroplayers, vou tentar colocar todos no ar até o fim desse ano. Vamos ver se dá certo, ainda tem alguma concorrência com textos mais recentes… rs.
      Valeu Jean!

  2. Thiago Lopes Rodrigues diz:

    Recomendo você escrever um novo texto nessa linha após o fim da maratona Sonic, com um resumo dos altos e baixos da franquia, das diversas tentativas de jogabilidade etc, seria bem interessante e fecharia com chave de ouro.

    Quanto ao texto em si eu discordo de você com relação a trilha sonora, pra mim as melhores trilhas sonoras são, não necessariamente nessa ordem:

    Sonic 3d blast versão mega
    Sonic CD versão japonesa
    Sonic Adventure
    Sonic Generations (esse é meio injusto)
    Sonic All Star Racing Trasnformed (esse é ainda mais injusto)

    Na verdade, no quesito trilha sonora a série Sonic nunca deixou a peteca cair

    E quanto a questão da série ser em 3d ou em 2d, concordo contigo, o estilo do jogo do Sonic faz com que fazê-lo em 3d seja muito complicado, para funcionar bem as fases precisam ser imensas e tudo fica bem mais dificil em 3d, (se bem que no Generations eles fizeram um trabalho espetacular, as fases modernas foram um show, aliás foram tão bem que pelo jeito quase a equipe toda já está fora da Sega (o Forces você deve saber que não foi feito pela mesma equipe), além de que, infelizmente tornou-se um dogma que os jogos precisam durar 740 trilhões de horas (por isso que surgiram as jogabilidades paralelas nos adventures, 2006, unleshead etc.), o que se torna impossível em um jogo do Sonic.

    E finalmente sobre o Sonic Mania, indubitavelmente um jogão, mas eu não gosto dos gráficos retro não, preferia que fosse feito com os gráficos atuais, aliás alguém sugeriu que fizessem a sequencia no estilo gráfico do Sega Saturn, já ficaria bem melhor.

    obs. largue mão dos Booms, nem sequer os fanboys ligam pra eles kkkkkk. O Lost world também.

    • Thiago, o que não me faltaram nesses anos todos foram ideias para escrever conclusão para a Maratona Sonic! hahaha
      Essa que vc deu também é ótima, vou me lembrar disso. Ela “casa” com outras duas ideias que tenho em mente, de repente fazer uma mega conclusão seja bacana. O que lasca é que algo “mega” vindo de mim é assustador, dado o tamanho dos textos que eu escrevo de vez em quando.

      Sobre as trilhas, cara, gosto é gosto, né? Mas vou te falar que Generations e Transformed, realmente vc apelou! kkkkkk
      Remix de ótimas trilhas feitas por gente competente é sacanagem. Aliás, adoro as duas e vivo escutando as músicas delas, os remixes que fizeram da Sky Sanctuary nos dois jogos são absurdo demais para serem esquecidos. Mas aí eu tô me adiantando na Maratona! haha

      Ainda sobre as trilhas, eu preciso discordar sobre “nunca deixou a peteca cair”. O problema aí é o “nunca”, pois tem jogos que deixam um pouco a desejar, inclusive alguns já jogados durante a Maratona. Felizmente é um percentual bem baixo em relação ao geral, então a gente não chegou a sofrer tanto neste ponto ao longo destes anos todos.

      Eu vou me abster de comentar mais sobre o Generations, é spoiler demais! hahahaha! Mas vc tem razão sobre o trabalho dos caras ter ficado bom. Forces eu nem falo nada. E sobre quantidade de horas em exagero, isso é uma das coisas mais irritantes.

      Agora me espanta vc não ter curtido o estilo retrô do Mania. É uma das coisas que mais curto nele, ele ter a cara de “o Sonic que não saiu pro Saturn”, embora muita gente veja ele como um jogo de Mega Drive (nunca rodaria no console de 16 Bits, por mais que seja meu favorito não dá pra eu acompanhar a vibe da galera que quer um port dele para o hardware mais famoso da SEGA).

      Lost World eu infelizmente joguei o de 3DS já. Boom uma hora vou ter que jogar. Todos eles. Faz parte da brincadeira, vou aproveitar pra descontar a raiva de outros assuntos em quem criou estas atrocidades! kkkkk

      Valeu Thiago!

  3. Rapaz. Esse texto ficou muito divertíido vendo você discordando de você. Mas pelo menos apesar de tudo nós temos o Mania para salvar o dia! Cara, muitas vezes eu acho que a mecânica de um jogo é o jogo. Por exemplo: Sonic é Sonic mais pelas mecânicas clássicas de movimentação (e isso inclui o modo de visão espacial 2D, claro) do que necessariamente a imagem dele ou simulação de suas características. Qualquer inovação ou Sonic em 3D pode ser um bom jogo sim. Mas esta transformação tem um preço, independente se ele ficar bom ou ruim, e esse preço é a identidade.

    • Eu não poderia concordar mais, Giovani!
      Primeiro que sim, o que faz um jogo é o que ele tem pra propor mesmo, e Sonic é totalmente apoiado em mecânica e level design, aquela física memorável e tudo mais. Infelizmente nenhum (eu repito, NENHUM) jogo 3D consegue reproduzir isso, nem os fangames, nem os que são aclamados pela comunidade. Normalmente estes jogos possuem boas qualidades, mas não conseguem reproduzir a mesma sensação que os jogos 2D. Nem os de 16 e nem os de 8 bits, que ainda possuem pegadas um pouco diferentes. Acho que tem tudo a ver com o que vc falou sobre o preço da transformação e tal.
      Cara, perfeito mesmo.
      Sobre eu discordando de mim mesmo, normal. Isso mostra que eu não sou tão teimoso quanto alguns insistem em dizer… ahahahahaha. Vou pedir pra uns amigos ler este comentário.
      Valeu Giovani.

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