RetroReview: Fantasy Zone Gear (Game Gear)

Fala caríssimos leitores! Tudo bem com vocês?

Prontos para relembrar mais um post que fez parte do Retroplayers no passado?

Este foi postado em 28/05/2013 e teve participação especial do Sabat (visitem o site dele!), que descreveu toda a parte que envolve a Tatsunoko. Ele é muito fã da empresa. Eu mesmo não sabia de tantos detalhes dela quando estava montando o post, na época. As informações adicionais ajudaram um bocado.

Bom, sem mais delongas, confiram o post em sua forma original logo abaixo. Ótima leitura!


Olá caros amigos retroaventureiros, como estão? Preparados para ler mais um texto sobre um game do tijolão comedor de pilhas da SEGA? Então vamos lá!
Quando era mais novo, adorava um desenho chamado [Akai Koudan] Zillion, um anime que surgiu de uma parceria entre a SEGA e a Tatsunoko. Infelizmente as duas empresas acabaram tendo uma briga que fez com que a série terminasse com menos episódios que o planejado, mas nesse meio tempo surgiram alguns produtos com a marca, sendo eles armas de brinquedo, Action Figures e, é claro, jogos! Afinal de contas, a SEGA planejava usar o anime para alavancar a venda de seu console na época, o Master System, que sabemos que não fez tanto sucesso assim no Japão.

A Tatsunoko é um estúdio de animação japonês digamos, cult. Mas por que cult? Simples: por que ela faz animes desde 1965, criou um monte de coisas super legais e que o mundo inteiro adora, e mesmo assim, se você diz “Tatsunoko” pra alguém em qualquer parte do mundo que não seja no Japão, é capaz da pessoa lhe responder “é você, seu boca suja!”.

Quer ver só? Um de seus primeiros animes é grande e velho conhecido de todos, nada mais nada menos que Speedy Racer! Depois vieram algumas pérolas como Gatchaman (G-Force por aqui), Macross (Robotech meu filho), Shurato (o poder de SHUUUUURAAAAAAaaaa!!), Evangelion (co-produção junto da Gainax), e o fodástico Karas, série de ovas que obviamente nunca chegou ao Brasil, mas que vira fenômeno onde passa. O Nintendo Wii até recebeu um game de luta chamado Tatsunoko vs Capcom que conta com quase tudo que é personagem da produtora, um jogo muito bom por sinal, mas que foi totalmente ofuscado pelos outros crossovers da Capcom.

A Tatsunoko é muito cultuada no Japão pelo conjunto de sua obra, principalmente no que se refere aos anos 80, que foi quando o estúdio lançou suas melhores franquias, e o caso é que na segunda metade daquela década, a Sega não não ia muito bem das pernas com seu Mark-III (vulgo Master System japa original), e estava literalmente atirando pra todo lado para conseguir abocanhar mercado. Um desses tiros acertou a Tatsunoko, que foi contratada para criar um anime que fosse maneiro o suficiente para servir de base na criação de algumas bugigangas para o console, e foi assim que nasceu o anime Zillion e, a princípio, a pistola Light Phaser.

Não parou por ai: dois jogos baseados no tal anime foram lançados para o console de mesa de 8 bits da empresa envolvendo os personagens principais e a batalha deles contra o império Noza. Porém, além destes, também foram lançados jogos para console e para Arcade de um dos personagens secundários do anime, Opa-Opa (ou Bongo), um pequeno robô em formato oval que possui asas. Na verdade este personagem é considerado por muitos como o primeiro mascote da SEGA, antes mesmo de Alex Kidd.

Sinceramente não sei dizer quem veio antes, o ovo ou a galinha o personagem do anime ou o dos jogos. O fato é que um dia na minha vida eu vi um tal de Fantasy Zone II na locadora para o saudoso Master, associei na hora aquele personagem colorido na tela com o personagem do desenho que eu tanto gostava e não pensei duas vezes: aluguei o jogo! E começou uma história de amor e ódio, já que o jogo é divertido pacas, mas não é tão fácil quanto parece. Vale mencionar que eu com a minha tamanha falta de habilidade, não consegui terminar o jogo até hoje (UPDATE: continuo sem terminar até a data deste repost, embora não tenha tentado muito mais vezes).

Anos mais tarde, passada a época em que tive o Mega Drive e já na era Playstation, estava passeando em um Shopping em São Paulo e, procurando algo que não me lembro, entrei em uma loja bastante conhecida por facilitar o crédito de seus clientes, e me deparei com uma caixinha de jogo de Game Gear na prateleira, um tal de… Fantasy Zone! E custando um valor muito baixo, provavelmente estava encalhado lá ha muitos anos e a loja queria se desfazer dele. Sorte a minha!

Considerando que eu conhecia a versão de Master e gostava dela, resolvi gastar o suado dinheiro nele mesmo meu portátil já estando com problemas. A tela estava com defeito, com uma “linha” de quase 1 centímetro que ocupava a parte de cima dela e não mostrava as imagens dos jogos, normalmente a parte onde ficava o HUD deles. Aliás, era emocionante jogar os jogos sem saber as informações de tempo, vida, etc… Modo HARD nativo! Mas dava pra jogar e era isso que importava. O jogo deu uma sobrevida para o meu Game Gear, que já estava um tanto quanto abandonado.

E que sobrevida! Joguei um bocado este jogo, mas a falta das informações na parte superior da tela sempre foi um problema. Mesmo assim eu conseguia me virar e me divertia como podia, consegui chegar próximo do final em uma ou outra ocasião, já tinha certa experiência com o jogo do Master System que era parecido, e um pouco mais de habilidade por conta da idade.

Vocês já devem estar se perguntando: “que diabos é Fantasy Zone, Cadu?”. Então eu vou parar de tagarelar um pouco e falar sobre o game.

Fantasy Zone é basicamente um shoot’em up, shmup ou jogo de navinha sidescroller, mas que a tela não se movimenta sozinha, já que o personagem principal pode ir para os dois lados. Pelo fato de ser um jogo todo colorido e “fofo”, além de ter personagens e cenários surreais, ele é classificado também como um cute’em up.

Programada pela Sanritsu, a versão de Game Gear é conhecida no Japão como Opa Opa Jr. no Bouken, ou seja, neste jogo não controlamos o Opa Opa original que aparece no anime Zillion, mas sim seu filho (porque robôs também fazem família engravidam!) Vale mencionar que nos Estados Unidos o jogo foi conhecido como Fantasy Zone Gear e aqui no Brasil apenas como Fantasy Zone. E será o nome brazuca que vou utilizar no texto.

Inicialmente, o objetivo do jogo é destruir todos os inimigos maiores que estão sempre em posições fixas na tela. Porém, de maneira aleatória, vão surgindo outros tipos de inimigos e a tela muitas vezes vira uma bagunça, o que aumenta um bocado a dificuldade do jogo. Não nas primeiras duas fases, mas nas seguintes o bicho pega muitas vezes. O personagem principal está munido de dois tipos de ataque, cada um configurado para cada botão do portátil. O primeiro ataque consiste nos tiros horizontais, a arma principal do jogo. São fracos, mas possuem longo alcance. Já o outro ataque é o lançamento de bombas/mísseis para baixo. Estes são mais fortes, mas nem sempre são fáceis de utilizar. Entretanto, é a melhor arma para derrotar os inimigos maiores fixos que citei no parágrafo anterior.

Como podem ver, este não é um jogo totalmente decoreba, e exige muito da habilidade e do reflexo do jogador, mas para dar aquela ajudinha, o game também possui power ups que podem ser comprados nas lojas que existem em cada uma das fases. O dinheiro usado para comprar esses itens são deixados pelos inimigos derrotados, como vocês já devem ter desconfiado. E existem itens que são essenciais para se avançar no jogo, já que estes podem aumentar a velocidade do Opa Opa Jr, modificar o tipo de tiro e também o tipo de bomba ou míssil. É possível comprar vidas extras também.

Os tiros comprados não são infinitos, eles vão se esgotando enquanto são usados. Então é uma boa comprá-los e não equipá-los logo de cara, mas o ideal é guardar para os chefes, muito embora eles possam ser vencidos sem armas especiais. Algumas bombas que podem ser compradas também são consumíveis, outras (como a Twin Bombs) são infinitas.

Já os itens de velocidade duram o tempo todo. O mesmo vale para os itens especiais, como o Auto-Shot (para que Opa Opa Jr fique atirando sem parar quando o botão for segurado) e o escudo. Vale mencionar também que todos estes itens desaparecem quando você perde uma vida no jogo, mesmo os que estão na “reserva” (não equipados).

O jogo possui seis fases, cada uma com seu respectivo chefe. Ainda há um sétimo estágio, onde você deverá enfrentar todos os chefes novamente antes do chefe final.

Como falei antes, eu nunca cheguei a terminar o jogo e, por conta disso, resolvi encará-lo nas últimas semanas pra ver onde eu estava empacando. E tive uma surpresa muito desagradável. O jogo, comparado ao Fantasy Zone II de Master System (seu “equivalente”), é muito capado. Tanto graficamente quanto sonoramente, ele perde para a versão de console de mesa, embora sejam jogos com fases diferentes e que nem deveriam ser comparados.

Mas é inevitável, e o que realmente fica evidente quando comparamos as duas versões é a jogabilidade. Não só os comandos são mais “duros” no portátil como podemos verificar alguns problemas sérios de detecção de colisão. Perdi a conta de quantas vezes eu morri injustamente e quase dei uma voadora no primeiro infeliz que aparecesse perto de tanta raiva! Uma coisa que percebi enquanto jogava novamente  é que o Back Shot ajuda bastante no jogo, e é bom acostumar a usar ele desde o começo. Isso me fez até passar o chefe que eu nunca passava (o da quarta fase) por causa do maldito problema de colisão (os tiros do Opa Opa Jr não acertam os tiros do chefe), mas não foi o suficiente para diminuir a minha frustração com as falhas do jogo.

Mesmo que o jogo seja difícil por natureza, essas injustiças que acabam acontecendo incomodam demais. O engraçado é que eu não me lembrava de nada disso até rejogar, faziam muitos anos mesmo que eu não jogava. Com certeza fui pego pela armadilha da nostalgia, eu tinha uma nota em mente e, depois de jogar, acabei descendo ela bastante.

Nem preciso dizer que não terminei o jogo, né? Não quis apelar pra save states. Se você jogou este jogo e conseguiu finalizá-lo sem essa apelação, meus parabéns: você é um herói não só pela habilidade como pela paciência com estes bugs irritantes.

Sai da tumba, RetroScore!

Apesar de todos os problemas, o jogo de certa forma diverte. Nostalgia? Talvez. Acredito que vale a pena vocês experimentarem algum dia só para ver como ele é, ainda mais se conhecerem a versão de Arcade ou a de Master System. É um jogo que proporciona sim uma certa diversão, mas a partir do momento que os problemas começam a incomodar, recomendo que não persistam, ou vão acabar se irritando demais.

Até a próxima!

Fim

Sobre Gamer Caduco

Apenas mais um cara que nasceu nos anos 80 e que desde que se conhece por gente curte muito videogames, não importa a geração.
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3 respostas a RetroReview: Fantasy Zone Gear (Game Gear)

  1. Pingback: Biomutant | Furries pós apocalípticos | Arquivos do Woo

  2. aki é rock diz:

    Está ai um jogo bem legal pelo visto vou adicionar este na minha lista pra jogar depois.

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