Contos de Um Gamer Cada Vez Mais Caduco

Olá caros leitores, como estão se sentindo?

Bem, não sei se é de interesse de vocês, mas eu ando me sentindo velho. Não sei se é a crise dos 40, não sei se é a paternidade, não sei se é a pandemia que me deixou muito tempo em casa e me fez ficar reflexivo, se é outra coisa que não estou me recordando ou se é tudo isso junto e mais um pouco.

O fato é que eu ando me sentindo velho e daí vem aquela necessidade esquisita de ficar contando histórias do passado. Sinto como se fosse aquele velhinho em uma cadeira que balança com algumas crianças sentadas na frente com as pernas cruzadas “de indiozinho”, ouvindo o que eu tenho pra dizer. Ou seja, estas crianças hoje são vocês, meus caros, porque eu vim para contar histórias. Apesar que eu acho que essa cena aí só acontece em filme, série, desenho, etc. Na vida real a molecada só quer saber de ficar no celular.

Enfim, resolvi fazer uma coletânea de histórias meio aleatórias que vivenciei ao longo da vida gamer e que provavelmente ainda não foram escritas aqui no blog. Hoje vou contar três delas.

É uma proposta de post completamente diferente do habitual, já que não tem um tema centrado em console ou jogo algum, mas sim um apanhado de histórias que me recordei nos últimos tempos.

O gatilho pra estas memórias foi um post lá do Rejoguei, mesmo que ele tenha uma proposta (ou “teor”) diferente deste post aqui. O post em questão foi sobre Jogador Raiz, e recomendo fortemente pra quem já tem também uma certa idade.

Bem, vamos às histórias.


O Jogo do Dragão escondido na memória do Master System

Nos anos 80 e 90 era comum as crianças que jogavam videogame inventarem histórias sobre os jogos. Normalmente eram sobre façanhas que elas tinham conseguido, ou fases secretas que não existiam, games que nunca foram lançados, ou mesmo exclusivos de plataformas que alguns juravam ter jogado em outra, e por aí vai. Era uma infinidade de histórias que até hoje eu não entendo porque eram inventadas. Talvez pelo simples prazer de fazer o outro de bobo, coisa de criança. No caso das histórias de façanhas é até um pouco mais compreensível, com certeza era pra criança em questão tentar aumentar sua popularidade ou alguma coisa relacionada a ego. Nenhuma delas faz sentido na minha cabeça, mas enfim.

A primeira história que quero contar é sobre uma dessas mentiras. Apesar que ela começa com uma verdade. Certo dia estava na casa da minha avó e um amigo me ligou lá pra me falar que tinha descoberto um jogo escondido na memória do Master System. Lembrem-se que naquela época era telefone fixo, não existia celular nem nada que facilitasse a comunicação entre as pessoas além dos caríssimos telefones.

Era um amigo que morava longe e eu via com pouca frequência. Pior que hoje eu paro pra pensar e não sei dizer porque ele fez tanta questão de ligar na casa da minha avó pra dar a notícia ao invés de esperar eu chegar em casa, mas vamos relevar isso.

O jogo em questão é o Snail Maze, ou o jogo do labirinto do caracol que de fato fica “escondido” na memória da primeira versão do Master que vinha com Hang On e Safari Hunt. Se é que alguém ainda não sabia disso, para abrir o jogo é necessário executar alguns comandos simples quando o console exibe a logomarca da SEGA e o nome do console.

snailmaze

Quando cheguei em casa eu lembro que demorei um pouco pra conseguir, não era tão simples como parecia. Foram algumas tentativas e eventualmente acabei conseguindo. Aí, meus caros, a minha cabeça explodiu! Eu tinha mais um jogo em casa e não sabia! Achei sensacional, embora o jogo seja bem simples. Passei um tempão jogando e nunca consegui passar do décimo segundo (e último) labirinto, apesar que isso é outra história.

Algum tempo depois o mesmo amigo ligou novamente, desta vez em casa, pra dizer que ele tinha descoberto mais um jogo na memória do console. Era o tal do jogo do dragãozinho e, segundo ele, para rodar o jogo era necessário abrir uma tampa que tem embaixo do console.

Sem questionar eu desliguei o telefone, peguei o console e virei de cabeça pra baixo. Vi a tal tampa, removi e executei as instruções que ele me passou: passar algo de metal no chip que se revela ao abrir a tampa. O detalhe é que tinha que fazer isso com o console ligado. Eu inocente segui à risca as instruções e acabei tentando várias vezes, mas o diacho do jogo do dragãozinho nunca abriu.

É claro que não ia dar nada, no máximo eu estava correndo um risco enorme de estragar o videogame. A tampa em questão era para algum possível acessório que se acoplaria ao console, algo que acredito que nunca realizou seu propósito. Inclusive tinha uma trava de plástico entre a tampa e a placa do console, que poderia ser quebrada.

Como se não bastasse a mentira via telefone, ele continuou com a história quando o visitei na casa dele. Eu comentei que não tinha conseguido fazer e pedi pra ele me ensinar pra que eu pudesse conhecer e jogar. Afinal de contas, ele tinha feito uma certa propaganda falando que o jogo era legal e tudo mais. Ele topou me mostrar.

Então ele ligou o videogame, tirou a tampa e lascou um ferro no chip de forma brusca, desligando e repetindo o processo algumas vezes. Obviamente, o jogo nunca carregou, no máximo ele conseguiu travar tudo uma ou outra vez. Daí ele falou que não tava conseguindo e que talvez fosse mais fácil romper a tal trava de plástico pra conseguir arranhar o chip com o ferro em uma área maior. Só que ele me convenceu que tentaríamos isso mais tarde, que naquela hora ele queria brincar com alguma outra coisa.

little-dragon-sega-master-system

Sempre fui uma criança sonhadora, então mesmo que naquele dia não foi provada a existência, eu abracei a ideia e realmente acreditei que o jogo existia. Bem, talvez a minha personalidade não tenha mudado tanto mesmo depois de tantos anos, pois eu só cresci e hoje sou uma criança sonhadora só que maior e com alguns cabelos brancos. Sempre estive com a cabeça no mundo da lua. Em uma situação onde a pessoa estava me contando uma mentira eu estava mais preocupado em imaginar como seria o tal jogo do dragãozinho, ao invés de me preocupar se aquilo era verdade ou não.

Sabem o que é o pior? Eu ainda tentei mais algumas vezes depois que eu voltei pra casa. Ainda bem que não tentei romper o tal lacre. Melhor ainda, que bom que não aconteceu nada pior como queimar o videogame, levar um choque ou qualquer outra coisa.

Outra coisa que me recordo é que algum tempo depois comentei com algum amigo da escola sobre tudo isso. A pessoa, mais esperta, me chamou de louco. Avisou que eu poderia ter estragado o videogame e etc. Fui zoado pra caramba, como podem imaginar. Faz parte da vida.

A dúvida que fica: por que inventaram essa história? E mais importante que isso: como será que é esse jogo, hein? Não encontrei nada na Internet, ele deve ser difícil mesmo de rodar, né? Vou lá tentar mais uma vez e ser o pioneiro na descoberta. Calma, é zoeira.


Os cartuchos multi jogos de Mega Drive

Embora eu tenha vivenciado a época do Atari 2600 e estivesse acostumado com cartuchos multi jogos, depois de duas gerações fiquei surpreso ao ver pela primeira vez um cartucho com mais de um jogo para o Mega Drive. Um dos meus amigos de infância tinha dois, ambos com quatro jogos cada.

Para trocar de jogo era necessário pressionar o botão Reset do console. Só que tinha um detalhe: em alguns aparelhos só alternava entre dois jogos, enquanto em outros abria os quatro normalmente. Tinha três amigos com o console de 16 Bits na turma do bairro onde morava e apenas um deles carregava todos os jogos, justo o que a gente visitava menos. Os outros dois eram vizinhos: o dono dos cartuchos e mais um outro.

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Eram tipo estes daqui, não me lembro tão bem da capinha deles.

Eu ainda tinha o Master nessa época, mas em algum momento acabei trocando de geração e o dono dos cartuchos já não estava jogando tanto assim. Então certo dia peguei emprestado um deles.

No meu Mega o efeito sendo o mesmo da maioria, ou seja, só rodaram dois jogos. Foi neste dia que eu percebi um padrão. O Mega brasileiro rodava os quatro, já o Mega japonês rodava apenas dois. O meu era a versão oriental, igual aos dos outros dois que não conseguiam carregar todos os games do cartucho.

Claro que eu fiquei triste, queria jogar tudo que tinha ali naquele cartucho. Ainda mais que eu lembro bem que um dos que rodavam era Super Thunder Blade, um jogo que até hoje eu não consigo gostar.  Confesso que não lembro quais eram os outros três, só que eram games mais do começo do ciclo de vida do Mega, sem desmerecer.

Aí naquela de moleque desocupado com tempo livre para alguma coisa fiquei cismado tentando carregar os outros dois da lista, até que eu tive uma ideia: tirar o cartucho do console com ele ligado e apertar o Reset pra ver o que acontecia.

O macete funcionou! Não dava certo em exatamente todas as tentativas, mas funcionava na maioria delas. Honestamente até hoje eu não sei dizer o que desencadeava o comportamento. Nem o problema e muito menos a solução. Só sei que fiquei feliz da vida que poderia jogar outros dois jogos que o próprio dono da fita não sabia como fazer.

A felicidade foi tão grande que em algum momento resolvi contar isso pro dono do cartucho. Queria compartilhar a experiência e ainda dizer que ele também poderia fazer isso na casa dele. Inclusive iria aproveitar para pedir emprestado o outro cartucho pra ver se eu conseguia a mesma façanha. Só que a reação do amigo não foi bem a que eu esperava.

Ele ficou muito bravo comigo, falou um monte e e me fez devolver a fita pra ele imediatamente. Como nunca fui de arrumar confusão acabei obedecendo. Fui até em casa, peguei o cartucho e devolvi pra ele.

No fim acabei ficando sem jogar pra valer aqueles oito jogos dos dois cartuchos. Um final que parece triste, mas teve um desfecho no mínimo engraçado.

Lembram que eu comentei do vizinho dele que também tinha um Mega japonês? Diga-se de passagem, ele era o amigo da turma que eu tinha mais proximidade. Eventualmente contei a história pra ele. Então sem me dizer nada ele decidiu pegar os cartuchos emprestados e ele me chamar pra ir na casa dele. Quando cheguei lá ele tava com as duas fitas na mão e um sorrisão no rosto, com aquela cara clássica de quem tava aprontando. Ficamos o dia todo jogando os oito jogos dos dois cartuchos fazendo o esquema que eu havia descoberto. Bem ou mal, foi hilário.

Imagino que o dono dos cartuchos não saiba disso até hoje. Se ele for visitante assíduo do blog e eu não souber disso, acabei de contar um fato pra ele que ficou encoberto por muitos anos. Desculpa aí, meu caro!


O misterioso rapaz dos cartuchos de Mega

Certo dia tocou a campainha de casa e algum tempo depois meu pai entra no meu quarto dizendo que tinha um menino no portão querendo falar comigo. Perguntei quem era e ele me disse que era um dos meus amigos que ele não conhecia. Estranhei, pois até onde eu sabia ele conhecia todos meus amigos do bairro.

Fui até a janelinha que dava para o portão e me deparei com um cara que eu nunca tinha visto na vida. Ele citou o nome de alguns dos amigos que eu tinha na região e disse que soube que eu tinha um Mega Drive em casa, queria saber que jogos eu tinha para fazer aquela famosa troca temporária que era bastante comum, pelo menos no colégio que eu estudava e no bairro que eu morava.

Lembro que citei que tinha três jogos: Mercs, Olympic Gold e Sonic 1, sendo o último só o chip. Eu tinha um quarto jogo que era Sonic 2, mas eu ainda jogava ele alucinadamente mesmo que eu já tivesse ele há algum tempo, então preferi nem comentar.

Lembro também que ele estava nas mãos com uns jogos que eu não conhecia ou não me interessavam, mas topei a proposta. Ele pegou o Mercs emprestado e eu peguei um qualquer que nem me recordo, provavelmente nem parei pra jogar direito. Ele disse que me devolveria em alguns dias, que eu poderia ficar tranquilo.

Ele realmente voltou alguns dias depois e devolveu o jogo, Sem chip trocado nem nada de estranho, tudo realmente certo. Caso bem diferente de pessoas que eu conhecia muito bem e que me deram o cano, pegaram uns jogos de Mega emprestado já na época do PlayStation 2 e nunca mais vi. Bem, esta é outra história, algo que infelizmente eu vivenciei e prefiro nem elaborar além disso pra não ficar chateado.

O engraçado é que esporadicamente este mesmo cara aparecia em casa perguntando se eu estava com algum jogo novo. Em uma das vezes ele me contou que tinha o hábito de trocar os jogos dele com bastante frequência, troca definitiva mesmo, em lugares que aceitava fazer isso normalmente cobrando uma pequena taxa. Cheguei a fazer isso poucas vezes na vida. Mesmo assim, já nem me lembro mais quais jogos troquei por quais, no máximo me recordo de ficar com Hard Drivin’ que foi o primeiro jogo original de Mega que tive na vida. Tenho o mesmo cartucho até hoje, diga-se de passagem.

Enfim, vira e mexe ele aparecia, a gente trocava os jogos (por empréstimo) e ele sempre trazia de volta. Não consigo me lembrar de tantos detalhes, como quais jogos peguei emprestado com ele nesta brincadeira. Só me lembro que os jogos que ele trazia não eram lançamentos nem nada assim, mas eram melhores do que eu conseguia pegar na locadora, já que eu sempre ia no sábado de manhã e sempre pegava só as sobras das sobras.

Tem uma situação bem específica que eu consigo me lembrar. Por alguma razão, em uma das vezes eu queria o jogo de volta e tive que encontrar a casa do cara. Ficava algumas ruas pra cima, uma caminhadinha razoável, ficava na mesma rua da locadora, um pouco antes. Ela ficava na esquina da rua do cara com a maior avenida da região. Só que até eu descobrir isso foi uma jornada, porque nem o nome do cara eu sabia. Acho que soube naquele dia, só não me peçam pra lembrar qual era nos dias de hoje. No dia precisei dar algumas características físicas até que um amigo do amigo de um amigo meu (sério) soube me dizer o nome e a casa.

Quando cheguei lá, tudo normal. Ele mesmo atendeu a porta e eu consegui pegar o(s) jogo(s) de volta. Acho que fui lá porque ele demorou demais e eu queria o jogo ou algum amigo queria emprestado. Se não me engano ele demorou pra devolver porque não tinha conseguido jogar direito e ainda não tinha terminado o que eu tinha emprestado. Engraçado é pensar que eu mal terminava os que ele me emprestava e ele sempre terminava os meus. Se bobear nem eu terminava os meus direito. Era outra época da vida, gostava de jogar de forma mais descompromissada.

O triste é lembrar disso tudo e ao mesmo tempo não lembrar de quase nenhum detalhe. Eu pensei em escrever esta história até pra recordar uma época onde era tudo bem diferente, sem celular, com muita coisa na base da confiança e ainda assim muita coisa dava certo, como era o caso desse rapaz que eu nem conhecia mas fazia as trocas com ele e nunca tive nenhum problema (além de uma certa demora para devolução).

Queria muito que a minha memória me ajudasse mais nesse caso e até a lembrar de outros, mas depois de tantos anos fica difícil. Não duvido que algumas partes desta última história possam não ter acontecido exatamente da forma como me lembro, o cérebro da gente é meio traiçoeiro nessas horas.


Conto essas três histórias com uma certa carga de nostalgia, de saudades de algo que nunca mais vou vivenciar. Se curtiram a ideia e o formato, posso transformar em uma série de memórias e vou compartilhando mais posts. Se é que lembro de tantos momentos como estes.

Porém, o que mais quero agora é saber de vocês se vivenciaram histórias parecidas ou qualquer outra situação maluca que queiram compartilhar nos comentários.

Contem aí memórias divertidas ou mais dramáticas que julgam ser interessante contar, estou curioso pra saber.

Por hoje encerro, mais uma vez agradecendo a todos que estiveram comigo em mais um post.

Abraços e até a próxima!

Sobre Gamer Caduco

Apenas mais um cara que nasceu nos anos 80 e que desde que se conhece por gente curte muito videogames, não importa a geração.
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6 respostas a Contos de Um Gamer Cada Vez Mais Caduco

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  2. smariobr diz:

    Grande Cadu, como vai?

    Rapaz, há muito tempo não consigo entrar aqui no blog e ler os posts. Um misto (quente) de situações ocorreram para impedir minha leitura no seu e em outros blogs.

    Primeiro que na maioria das vezes eu acessava do trabalho! Numa época mais calma, digamos assim, onde eu ficava todo o plantão na frente de um computador. As coisas mudaram, passei a ficar menos no computador, depois a demanda de trabalho aumentou e depois a empresa bloqueou acesso à sites que não tinha a ver com nosso trabalho. Me resta ler em casa, não? Não! Não com uma criança (atualmente com 3 anos) correndo e pulando o dia todo. E depois que ele e a Dona Encrenca vão dormir é o meu (curto) momento. Neste momento de poucas horas até ser derrubado por Morpheus e cochilar de boca aberta com um copo de cerveja na mão, é que aproveito pra pôr as pendências em dia. O problema é que são muitas! Quero jogar, quero ver série, filme, anime…não me sobra tempo e disposição pra nada! Essa vida de adulto me deu um ultra combo do Fulgore nos últimos anos. Por isso me perdoe pela ausência. Estou conseguindo tecer este comentário hj pq no momento o movimento aqui no aeroporto diminuiu. E sim…tô trabalhando em pleno dia 1º de janeiro. Dormi 00:30h pra acordar 03:30h…estou zonzo…já vi até o catatau hj…

    Enfim, desculpe o desabafo! Vamos lá…

    Ah cara esses contos, causos, memórias, são sempre sensacionais e todos nós nos identificamos. Todos passamos por situações parecidas. Essas trocas duvidosas com troca de chip, essas mentiras dos amigos querendo tirar onda com nossa cara, um amigo que quebrou um cartucho ou controle e por aí vai.

    Esse seu amigo do jogo secreto catucando o interior do console, ele era o verdadeiro caôzeiro! Manteve a mentira até o ultimo minuto, mesmo não conseguindo fazer na sua frente. Agora vc vê como éramos inocentes! Catucar o console ligado…ao menos vc não tirou a trava, vc foi um inocente consciente. Já eu não me recordo de ter passado por algo assim. A mentira pela qual passei e que já devo ter te contado foi a do “amigo” que pegou meu Street Fighter III do Nes, me devolveu com o chip trocado de forma grosseira. Ele teve que colar com super bonder um pedaço de plástico dentro do cartucho pra segurar o chip trocado pois a furagem era diferente. E quando fui na casa dele reclamar, antes que eu falasse, ele já veio dizendo que tinha conseguido comprar Street III também, mas só o chip! Que incrível, não??? E ficou por isso mesmo, não tive como provar né…

    Interessante, não sabia que o mega teve esses cartuchos multi-jogos. Via muito isso no Atari e Nes. Quando éramos moleques a gente gostava de fazer essas gambiarras, né? Trocar de cartucho com o console ligado, catucar o conector…mesmo que na maioria das vezes não necessitasse, era só curiosidade de ver que M ia dar…eheheh!

    Essa troca temporária dos cartuchos era normal por aqui, mas com os colegas da rua, escola. Dependendo do colega nem rolava a troca. Chamava do portão e só falava “empresta o International aee” e o irmão mais novo descia o Super Star Soccer Deluxe pra eu jogar com aquele amigo habilidoso dos teclados! Eu não tive tantos cartuchos para poder fazer várias trocas. No Atari eu era muito criança e nem trocava cartucho. Na verdade agora lembrei mais ou menos de uma troca que acho que foi no Atari. Troquei talvez o cartucho de 16 jogos Atarimania com um amigo do colégio, mas ele veio com um cara mais velho, alto e cabeludo. Meu pai brigou comigo pq não queria que eu andasse com cabeludo! Ahahah! Também não podia usar camisa de caveira pq era coisa de gangue! Ah os pais…rs

    No Phanton System só tive Super Mario, Goal (de futebol) e Street Fighter III. Por isso eu pegava mais emprestado mesmo do que trocava. Troquei muito Goal pelo das tartarugas Ninja Arcade Game. Era um port de respeito, joguei muito! Inclusive uma vez demorei muito a sair da casa desse amigo, jogando justamente esse jogo, e minha mãe apareceu na calçada me gritando , que já tava tarde, que tinha que ir pra casa! Maior barraco, passei vergonha, nem sei como minha mãe sabia onde ele morava! Depois disso a mãe desse amigo passou educadamente a me “lembrar” que já era hora de ir embora, pra não ter problema com minha mãe…rapaz…

    Não lembro se foi na base da troca ou empréstimo, mas consegui muitos jogos de Phanton System. Micro Machines, Darkman (do filme que o cara é torrado numa explosão, desligam o sistema nervoso pra não sentir dor, ele fazia umas máscaras pra mudar de rosto, muito irado), Formula 1, um tal de Megaman que não dei trela, e outros que também não me lembro (Alzheimer, é vc?).

    No Snes tive Donkey Kong Country 1, 2, e 3 e poucas trocas. Uma delas me fez conhecer Super Metroid. Nessa época já era sócio da locadora então eram poucos empréstimos…não lembro direito (Ih)…

    História triste foi a do meu controle lindo Aquapad pro meu super Nintendo, que meu amigo anta pegou pelo fio e rodopiou. Logo em seguida ele já não funcionava. Pior que deve ter sido uma mera solda mas dei ele como falecido…

    Cadu se vc fizer uma série de memórias seria muito bem-vinda. Como disse a gente se identifica, todos passamos por coisas parecidas. Redigindo esse comentário que fui me lembrar dessa história do cabeludo que meu pai não gostou! Estava escondido no meu cérebro e liberei igual ao joguinho do dragão ahahah! O que “destravou” a lembrança foi uma joelhada que dei no balcão que estou trabalhando! Nossa essa foi péssima…

    Espero não ter escrito demais, mas tinha tempo que não fazia isso! Embora minha carga de trabalho tenha aumentado e as folgas diminuídas, vou tentar acessar mais o blog e deixar meus comentários!

    Já botou o garotão aí pra jogar Sonic???

    Abração!

    • Mas rapaz do céu, Mario… vc sumiu mas fez um comentário digno de recuperar todo tempo que não conseguiu entrar aqui… hahahaha!
      Cara, eu vou te falar algo que já conversamos várias vezes em curtas mensagens de Twitter e outras redes menos bacanas… TE ENTENDO PERFEITAMENTE nesse lance de filho, casamento, um monte de coisa que quer fazer e tempo faltando pra tudo isso! Tô vivenciando o mesmo e meu filho ainda não completou nem 1 ano, quero ver quando tiver com a idade do seu. Espero sobreviver até lá pq já tá difícil assim. Não dormi ainda com a cerveja na mão, mas o controle já e não foram poucas vezes… haahahhaa… só entrar num diálogo mais demorado e eu já tô lá dando aquela cochilada. Já perdi muita história de jogo por isso! huahuahua
      Essa sua história do SFIII é muito revoltante, o cara tem que ser muito cara de pau pra trocar chip, fazer a coisa mal feita e ainda dar de louco. É cada uma, viu?
      A do Aquapad eu também conhecia, o cara foi muito sem noção, muita mancada…
      Sobre não poder andar com cabeludos pra mim é uma grande novidade! hahahaha! Caraca, essa meus pais não fizeram comigo. Ainda bem, pq um dia na vida eu também já fui cabeludo (vááááários dias, na verdade).
      Já nossas mães fazendo barraco na frente da casa de amigos era comum, eu também já passei por isso. TMNT Arcade Game vale a pena mesmo levar a bronca e passar vergonha, jogo delicioso! rs
      Quero continuar essa série de memórias sim, o que me mata é que eu já esqueci de muitas coisas. Vira e mexe eu acabo lembrando de uma coisa ou outra e esqueço de anotar. As histórias que vc contou me fez lembrar de outra que eu vou tentar colocar num post futuro, vou até anotar isso já senão vou esquecer DE NOVO! hahaha
      Sobre o rapazinho aqui em casa, ele ainda teve zero contato com videogames. Mas assim que ele começar, vai ter uma sobrecarga de Sonic, pode ficar tranquilo! kkkkkkkkkkkkk
      Valeu demais, Mario! Curti muito o comentário! (putz, rimou sem querer)

  3. GDD diz:

    Bons tempos esses. Apesar de um pouco mais tarde, pude vivenciar essa fase de trocar emprestado jogos de cartucho, bem como jogos de PS1. De fato, a pandemia nos faz refletir muitas coisas. Eu por exemplo, criei o meu blog. Mas muito legal seu post.

  4. Pingback: Links da semana #17 – Geek do Direito

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